Sermão: O Senhor está vivo
Culto da Familia Iasd Unasp-SP 20/07/18
Então Elias, o tisbita, dos moradores de Gileade, disse a Acabe: Vive o SENHOR Deus de Israel, perante cuja face estou, que nestes anos nem orvalho nem chuva haverá, senão segundo a minha palavra. 1 Reis 17:1
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Marido, Pai, Pastor, Professor, Gestor de Pessoas... Formado em Gestão de Recursos Humanos pela UNISA, Bacharel em Teologia pelo UNASP; Trabalhou em Guiné-Bissau, Região de Campinas e Jundiaí, com plantio de igrejas e evangelismo público. Gosta de fazer amigos, pregar a palavra de Deus, ler, estudar, trabalhar, comer e dormir...rsrs Atualmente é capelão, pastor e professor de filosofia e sociologia no Instituto Educacional Alvorada Plus - Escola do Pensar.
segunda-feira, 23 de julho de 2018
quinta-feira, 28 de junho de 2018
Teoria X Prática
Pensando sobre o episódio Alemanha 0 x 2 Coreia:
E aquela história de que a Alemanha tinha um padrão de jogo construído ao longo do tempo? Aquele discurso que dizia que para resolver o problema do futebol brasileiro dentro de campo é necessário seguir o exemplo de seleções como a Alemanha que planejam o seu futebol?
Reconheço que o planejamento e a teoria têm seu valor. Entendo que sem organização e estudo é mais difícil executarmos algumas tarefas. Mas honestamente com a estrutura que existe hoje no futebol brasileiro, por mais zuada que possa parecer, o Brasil tem condições de apresentar um bom futebol, mas pra isso tem que "jogar o jogo".
A teoria pode até ajudar o futebol, mas o jogo se ganha jogando. No dia dos 7 x 1 o Brasil não jogou, e por isso deu no que deu. Agora foi a vez da Alemanha. Não jogou o jogo e aí... bom, você já sabe.
Acho que podemos aqui tirar uma lição importante para a vida: Não fique apenas planejando, pensando, filosofando, teorizando... faça isso, mas na hora de "jogar jogo" entre pra vencer, não faça corpo mole, não procrastine. Assim como no futebol onde "a bola pune", na vida as oportunidades perdidas também podem punir aqueles que pensam que por terem algumas estrelas no peito podem se dar ao luxo de serem displicentes.
Brasil e Alemanha sabem bem o que isso!
Abraços.
Pr. Vanius H. Dias
segunda-feira, 25 de junho de 2018
Filosofar é preciso
“Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo” Colossenses 2:8
Quando falamos em filosofia, algumas pessoas imaginam homens excêntricos, solitários, em silêncio, com um olhar perdido como quem olha para o nada. Errado! A verdadeira filosofia envolve debate, discussão, análise e questionamento. Dessa forma, toda vez que eu e você estamos discutindo nossas opiniões, nossas crenças, questionando o comportamento de outras pessoas, ou ainda debatendo sobre determinado assunto, estamos filosofando. Em resumo, se você tem a capacidade de raciocinar, duvidar, questionar, você está apto a ser um filósofo.
Contudo, para que essa filosofia seja autêntica, ela deve estar bem embasada, alicerçada em fundamentos coerentes e até certo ponto experimentáveis. Vivemos em um contexto em que notícias falsas surgem a todo o momento, algumas opiniões beiram o absurdo, então é necessário que tenhamos uma aguçada capacidade de avaliar e filtrar as informações que chegam até nós. É muito comum vermos pessoas defendendo posições ou opiniões sem nenhuma base lógica. Concordam e defendem opiniões que mal sabem explicar. Isso é uma pseudofilosofia.
No texto de hoje Paulo nos alerta para que não sigamos qualquer filosofia. O apóstolo fala de “sutilezas”, coisas que até podem parecer boas e adequadas, mas que na verdade não passam de “modinhas” fundamentadas em uma cultura contaminada pela secularização. Atualmente verdades estabelecidas por Deus têm sido questionadas sem qualquer fundamento racional ou lógico. A justificativa tem sido o desejo do ser humano de fazer as coisas à sua maneira, à margem daquilo que Deus estabeleceu.
Obviamente somos livres para acreditarmos e aceitarmos o que quisermos, mas precisamos tomar cuidado para não defendermos posições, preferências, ideologias, que não se sustentam quando passam por um criterioso exame lógico. Além disso, é importante não estarmos defendo algo ao qual Deus se opõe claramente, algo que Ele rejeita veementemente. Como diz Jeremias 17:9 “enganoso é o coração mais do que todas as coisas”. Por isso o mais seguro é, não seguir as filosofias que têm origem no coração humano, mas sim andar pelo que diz a palavra do SENHOR!
Ótima semana pra você e sua família!
Pr. Vanius H. Dias
segunda-feira, 18 de junho de 2018
COISAS OU PESSOAS
Vivemos em uma cultura que valoriza a novidade. Estamos sempre em busca de algo novo, alguma coisa que seja diferente e claro, melhor. A indústria automobilística por exemplo, lança carros todo ano, e faz com que os modelos anteriores pareçam velhos, desgastados, sem brilho. Nem todos podemos trocar de carro todo ano, mas certamente se o pudéssemos, faríamos. E não é porque o carro está velho ou muito rodado, seria simplesmente pelo apego ao novo, pelo desejo da novidade, até quem sabe por causa da vontade de ostentar. O mesmo acontece com celulares, roupas, relógios, etc. Estamos vivenciando uma geração que trata quase tudo como descartável.
Mas pior do que tratar as coisas como descartáveis, é tratarmos as pessoas dessa forma. Infelizmente esse comportamento está presente em nosso dia a dia, basta olharmos para quantas casas de repouso estão lotadas de avós, pais e mães que foram considerados inúteis, desgastados, fardo e tantos outros adjetivos negativos. Não estou me referindo aos casos em que o idoso precisa de cuidados especiais, em que a família não tem condições de fornecer tais cuidados. Aqui, a menção é aos inúmeros casos de abandono, simplesmente porque não queremos mais a “coisa velha” por perto.
Olhe também os casamentos. O tempo passa, as rugas aparecem, os quilos a mais chegam, cabelos brancos e outras marcas do tempo de mostram, e aí alguém diz “eu não te amo mais”. Será que algum dia amou mesmo? Ou será que não é resultado de um olhar moldado pela cultura das coisas descartáveis.
Fato é queridos que não podemos tratar as pessoas como coisas. No texto de hoje Jesus diz para não esmagarmos o galho quebrado, ou seja, não tornarmos mais difícil ainda a vinda de quem já sofre naturalmente com as marcas do tempo, da dor, das preocupações e tantos outros males que batem à porta da humanidade.
Como você trata as pessoas em seus relacionamentos, sejam eles profissionais ou pessoais? Para você as pessoas são descartáveis? Cuidado para não estarmos esmagando quem já está despedaçado, e apagando a luz de quem não consegue mais brilhar. Seria muito importante, no dia hoje pensarmos bastante sobre isso.
Baseado em "Siga o Mestre" Inspiração Juvenil 2017
segunda-feira, 4 de junho de 2018
A Lei e os Profetas
Essas orientações foram escritas em resposta à um internauta que questionou o uso e significado dos termos "lei e profetas". Obviamente o assunto não será esgotado, mas podemos ter um vislumbre de como entender esses termos dentro da Bíblia Sagrada.
1) A Biblia Sagrada é um
livro antigo, e portanto foi escrito dentro de um contexto específico, em
épocas específicas, por pessoas diferentes, das mais variadas classes. Dessa
forma, ao fazermos uma leitura do texto bíblico não podemos nos esquecer do
distanciamento que existe entre nós e o escritor original. Caso isso não seja
levado em conta as interpretações podem ser equivocadas.
2) Existem termos técnicos
ou mesmo idiomatismos que devem ser considerados no momento de fazermos uma
exegese adequada do texto sagrado. Por exemplo, temos que saber o que
significava para os leitores primários da bíblia a palavra "gentio"
ou “incircunciso”, caso contrário poderemos cometer equívocos na interpretação
do texto.
3) No caso específico dos
termos "Lei" e "Profetas", nada mais são do que uma referência
ao Antigo Testamento (veja Mt 7:12; 11:13; Lc 16:16; 24:44; Jo 1:45 entre
outros) . O judaísmo divide o AT em 3 partes: Torah (Lei), Neviim (Profetas),
Kethuviim (Escritos). Essas três divisões pode aparecer com algumas variações
como, “Lei e profetas”, “Escritos”, “Profetas” ou ainda “Escrituras”. Em outras
palavras, todos esses termos são usados de forma cambiável para se referirem ao
conjunto de livros do AT.
4) Quando Jesus diz que não
veio abolir a “Lei ou os profetas”, ele está afirmando que não veio mudar a
mensagem do AT. Jesus não parece estar preocupado em expor as minúcias do AT,
sua ênfase é na mensagem que foi deixada por Deus através de Moises e os demais
escritores, a saber, a salvação por meio de Cristo.
5) Quando Paulo por exemplo
faz uso da palavra “Lei”, ele pode tanto estar se referindo a tudo que foi
escrito por Moisés, ou pode estar falando de porções especificas. Ao afirmar
que a “Lei é santa e o mandamento santo justo e bom” (Rm 7:12) por exemplo,
temos uma referencia clara aos dez mandamentos, uma vez que no verso 7 ele cita
“não cobiçaras”. Sendo assim, é necessário entender o contexto e a linguagem
empregada em cada texto para sabermos exatamente do que estamos falando.
Aproveito para citar o que diz F.F. Bruce (não é adventista) em seu comentário
sobre o texto de Romanos 7, ao refletir sobre o pensamento de Paulo: "A
obrigação de guardar a lei envolvia antes de tudo a obrigação de saber e
obedecer aos Dez Mandamentos. Ê matéria de conhecimento geral que as proibições
tendem a despertar o desejo de fazer aquilo que é proibido" .(Romanos -
Introdução e Comentário. Ed. Vida Nova. Pg. 72)
6) Quando encontramos
expressões “lei”, ou “lei abolida” precisamos identificar de qual lei estamos
falando. O raciocínio é simples: se admitirmos que quando o texto sagrado diz
que as leis ou ordenanças foram abolidas não é necessário entender de qual lei
estamos tratando, então vamos ter que concordar em abolir a idolatria, o
adultério, a mentira, etc, e não somente o sábado. Esse é um pensamento
perigoso pois pode nos desviar da obediência à vontade de Deus.
7) Devemos lembrar ainda que
a bíblia apresenta varias leis, e em muitas passagens essas leis estão dividas
como que por categorias (veja Lv 11; 17:1-9; 19; 21; 22; 25:35-38; 27:30-34 e
muitos outros). Isso mostra que existiam claramente uma diferenciação daquilo
que tinha caráter irrevogável daquilo que poderia ser adaptado. Além disso
temos ainda os textos no NT testamento que deixam claro que a lei abolida se
refere aos rituais de sacrifício que apontavam para a obra salvífica de Jesus
(Hb 7:11-18; 9:11-14).
8) O termo “Lei” é amplo, e
deve ser compreendido dentro de seu devido contexto para que não venhamos
colocar nossa opinião acima da Palavra de Deus. Quando lemos o NT não
encontramos qualquer evidência de que os Dez Mandamentos foram mudados,
cancelados, anulados ou abolidos.
Por fim, destaco duas falas
importantes a respeito do assunto. A primeira foi dita por João: “Aquele que
diz: Eu conheço-o, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não
está a verdade.” (1Jo 2:4). O outro texto foi mencionado pelo próprio Cristo:
“Se me amais guardareis os meus mandamentos.” (Joao 14:15). Prefiro andar
segundo a orientação bíblica, e tentar fazer o meu melhor em retribuição ao
Deus que me amou primeiro.
Sem mais,
Vanius
Henrique Dias
Bacharel
em Teologia
quinta-feira, 24 de maio de 2018
Jesus - a nossa propiciação "hilastērion"
Texto: Lucas 18:13, Romanos 3:23-25INTRODUÇÃO
A tradição vincula cada um dos quatro evangelhos a um símbolo. Mateus é simbolizado pelo leão. Já o evangelho de Marcos é simbolizado pelo homem. No caso do livro de João temos o símbolo de uma águia. O evangelho escrito pelo médico Lucas é simbolizado pelo bezerro. O bezerro é símbolo de oferta pelo pecado. Logo, é assim que Lucas vê a Jesus. Ele vê o Mestre como sacrifício e propiciação para todo o mundo, não somente para esse ou aquele grupo. Lucas mostra um Salvador Universal!
Objetivos: (1)mostrar que todos somos pecadores; (2) demonstrar a postura do pecador verdadeiramente arrependido; (3) Esclarecer que somente Cristo Jesus é quem pode nos perdoar, nos habilitar para estarmos na presença de Deus.
Proposição: Embora as Escrituras nos mostre claramente que não há possibilidade de o homem ser salvo pro seus próprios méritos, algumas pessoas insistem em agir como se sua conduta fosse suficiente para obterem a salvação. Contudo, existem também aqueles que nunca se esquecem que “todos pecaram”, que obrigatoriamente “carecem da glória de Deus”. Na parábola do fariseu e do publicano, Jesus mostra claramente a distinção entre os dois grupos, e Paulo vai nos dar ainda uma visão mais ampla do significado do pedido daquele judeu publicano.
I – SIMBOLO DE DUAS CLASSES DE PECADORES
São pecadores, mas se esqueceram (v. 11,12)
Os fariseus eram pessoas respeitáveis perante a sociedade judaica. O próprio Cristo deu destaque a esse fato ao dizer que se a justiça humana não exceder em muito a justiça dos fariseus, não seria possível alcançar o reino de Deus. Podemos dizer que, se uma pessoa pudesse chegar ao Céu por meio de seus atos, os fariseus seriam fortes candidatos. E confiando nisso, o fariseu da parábola vai ao templo. Tem no seu coração o orgulho, a prepotência de imaginar que todos os seus atos são suficientes para coloca-lo em situação privilegiada diante de Deus.
Alguém disse que, a fala do fariseu é tão arrogante que, só faltava Deus aparecer a ele e perguntar: “Ok meu filho. Quanto eu te devo?” Existe um texto na tradição judaica atribuído à Simeão Ben Jochai onde ele declara: "Se só houvesse dois homens retos neste mundo, seríamos meu filho e eu; se só houvesse um, esse seria eu!" O fariseu realmente não foi orar, foi informar a Deus a respeito de quão bom era ele. (Barclay)
O fariseu da história de Jesus se esqueceu que era um pecador “miserável, pobre, cego e nu”. É mais ou menos como um peixe esquecer que precisa de agua para sobreviver, e assim tentar viver fora do aquário. Está condenado a morte!
Ellen White diz que, “Quando o pecado embota as percepções morais, o transgressor já não discerne os defeitos de seu caráter, nem reconhece a enormidade do mal que cometeu; e a menos que se renda ao poder persuasivo do Espírito Santo, permanece em parcial cegueira quanto aos seus pecados. Suas confissões não são sinceras e ferventes.(Caminho a Cristo, 40)
São pecadores e nunca se esquecem (v. 13)
Jesus agora coloca outro personagem na história. Dessa vez um publicano, e segundo a ótica de Lucas, um dos rejeitados. Um publicano era um cobrador de impostos, e talvez alguém pergunte: “que mal há em ser um cobrador de impostos?” Em situações normais diríamos, que não há qualquer mal nisso, afinal é um trabalho digno e necessário, ainda mais quando pensamos que muitas pessoas sonegam impostos e são corruptas. Mas o publicano nos dias de Cristo era um judeu que aceitou trabalhar para Roma, e assim cobrar os abusivos impostos que o império exigia da população. Assim, não é difícil entender porque os publicamos são constante comparados à pecadores para os judeus “piedosos” daqueles dias. Jesus então está falando de alguém que está precisamente do lado oposto do fariseu, pelo menos na ótica humana.
Mas diferentemente do fariseu que se mostrou o “rei da cocada preta”, o publicano não tem dúvidas de quem ele realmente é. Sua atitude e suas palavras nos mostram isso. “Mantinha afastado, e nem sequer elevava os olhos a Deus. As versões comuns não fazem justiça à sua humildade, pois em realidade sua oração foi: ´Deus, sê propício a mim – o pecador´, como se não fosse meramente pecador, e sim o pecador por excelência.” (Barclay)
Esse homem nunca havia se esquecido de sua condição, nunca havia esquecido suas origens, nunca havia esquecido que era um pecador, merecedor da morte!
II – SIMBOLO DO PERDÃO DE DEUS
Vamos agora abrir um parêntese para tentar entender o que Jesus (ou Lucas) tinha em mente quando usou a expressão “sê propicio a mim”.
O propiciatório e a presença de Deus (Ex 25:17-22)
Depois de tirar o povo israelita do Egito, o Senhor pede a eles que construam um santuário. O motivo talvez mais significativo seja aquele expresso em Êxodo 25:8, quando Deus declara: “para que eu possa habitar no meio deles”. Mas além disso existiam lições a serem ensinadas por meio do santuário, era o desejo de Deus que os israelitas entendessem tais lições, que apontavam para obra redentora de Jesus.
“O edifício era dividido em dois compartimentos por uma rica e linda cortina (Santo e Santíssimo),... A tenda sagrada ficava encerrada em um espaço descoberto chamado o pátio,... No pátio, e bem perto da entrada, achava-se o altar de cobre para as ofertas queimadas, ou holocaustos. Sobre este altar eram consumidos todos os sacrifícios feitos com fogo ao Senhor,... Entre o altar e a porta do tabernáculo, estava a pia, que também era de cobre,... No primeiro compartimento, ou lugar santo, estavam a mesa dos pães da proposição, o castiçal ou candelabro, e o altar de incenso.... Precisamente diante do véu que separava o lugar santo do santíssimo e da presença imediata de Deus, achava-se o áureo altar de incenso.
Além do véu interior estava o santo dos santos, onde se centralizava a cerimônia simbólica da expiação e intercessão, e que formava o elo de ligação entre o Céu e a Terra. Nesse compartimento estava a arca, uma caixa feita de acácia, coberta de ouro por dentro e por fora, e tendo uma coroa de ouro em redor de sua parte superior. Fora feita para ser o receptáculo das tábuas de pedra, sobre as quais o próprio Deus escrevera os Dez Mandamentos.... A cobertura da caixa sagrada chamava-se propiciatório. Este era feito de uma peça inteiriça de ouro, e encimado por querubins do mesmo metal, ficando um de cada lado. ... Acima do propiciatório estava o shekinah, manifestação da presença divina; e dentre os querubins Deus tornava conhecida a Sua vontade.” (PP 347-349).
O propiciatório e o pedido de perdão (Lv 16:15,16)
Além de ser o local da manifestação da glória de Deus, o propiciatório era o local onde o sangue do bode sacrificado no dia da expiação era aspergido. Ao aspergir o sangue sobre o propiciatório, o sumo sacerdote estava entregando a Deus, a oferta pelo pecado do povo, e não apenas o pecado de um dia, mas de todo o ano. O texto é bastante forte, pois diz que era feita expiação por todas as impurezas lançadas no santuário durante o ano, por todos os pecados do povo. Seguindo a lógica dos símbolos e dos rituais que envolvem o santuário, percebemos que ao lançar o sangue sobre o propiciatório, o sacerdote estava suplicando a Deus que aceitasse o pedido de perdão da nação. Diante de Deus, da sua santa presença eram lançados os pecados do povo, a assim havia um pedido de perdão, de misericórdia. Era a súplica pela graça divina! Era como se o povo todo dissesse naquele momento: “Senhor, sê propicio a mim pecador.” O verso 31 mostra que esse dia era um dia de grande expectativa e o sentimento que devia tomar o povo era o de contrição, arrependimento, reconhecimento de sua condição pecaminosa – “afligireis a vossa alma”.
Aqui vemos um paralelo com a reação do publicano da parábola. Ele estava aflito, se sentia o maior dos pecadores, e sabia que se Deus não olhasse com misericórdia ele não poderia sobreviver ao juízo divino, pois nada que ele fizesse poderia coloca-lo em vantagem, nada que ele fizesse poderia desviar a punição de seu pecado. Somente o perdão de um Deus de amor seria capaz de tal ato!
III – SIMBOLO DO VERDADEIRO ARREPENDIMENTO
1. Uma necessidade “sê propicio a mim pecador” (v. 13)
Quando voltamos ao texto de Lucas, vemos que, o publicano estava perfeitamente ciente de sua necessidade. Ele não precisava de dinheiro, não precisava de finas roupas, nem ao menos do favor dos homens. O que aquele homem mais carecia era da misericórdia divina, ele necessitava do perdão de Deus apesar de suas falhas.
Esse reconhecimento, esse senso de incapacidade é que faz do publicano merecedor da atenção de Deus. Observemos que Jesus afirma que foi esse publicano, rejeitado, traidor, talvez até desonesto que saiu dali justificado. O publicano sabia que estava doente, sabia que precisava de socorro urgente, e mais ainda, sabia quem exatamente era Aquele que podia cura-lo. Ao contrário do fariseu que se exaltou, que se declarou justo, o publicano se coloca como alguém que tem todas as credenciais do mal. No verso 14 Jesus diz que todo aquele que se exalta será humilhado, e exaltação aqui está ligada exatamente ao senso de salvação pelas obras, ao pensamento de que Deus irá me premiar por aquilo que faço ou por aquilo que tenho.
Quando olhamos para o publicano, percebemos alguém que está diante de uma forte necessidade, a necessidade de ser perdoado! “A confissão não será aceitável a Deus sem o sincero arrependimento e reforma. E preciso que haja decisivas mudanças na vida; tudo que seja ofensivo a Deus tem de ser renunciado. Este será o resultado da genuína tristeza pelo pecado.” (Caminho a Cristo, 39)
2. Uma realidade “Cristo é a nossa propiciação” (Rm 3:23-26)
O apostolo Paulo divinamente inspirado nos mostra que a reação do povo de Israel no dia da expiação e também a atitude do publicano na parábola, é exatamente o que se espera daqueles que professam terem aceitado a Cristo como seu único salvador.
“Paulo utiliza a metáfora do sacrifício. Diz de Jesus Cristo que Deus o apresentou como alguém que pode obter o perdão de nossos pecados. A palavra que Paulo usa para descrever a Jesus Cristo é a palavra grega hilasterion. A palavra provém do verbo grego que denota conciliar. É um verbo que tem que ver com o sacrifício.” (Barclay, 68)
Nesse texto Paulo aponta tanto para a metáfora do santuário como também nos faz considerar a atitude do publicano. O apostolo está nos mostrando que, a menos que confiemos unicamente nos méritos de Jesus, nunca poderemos ser salvos. Ele afirma que somos “justificados unicamente por sua graça”. Não há espaço para orgulho, não há espaço para pensarmos em méritos ou vantagens. Não importa se você é crente a 30 anos, também não interessa se você guarda os dez mandamentos, assim como também não importa se você devolve fielmente os dízimos ou é vegetariano. Essas coisas obviamente são importantes, mas não podem salvar quem quer que seja, pois se pudessem, o fariseu da história não deveria ser censurado por Cristo. Ele fazia tudo isso e mais um pouco!
Paulo aqui nos faz ver uma realidade: Somente Jesus Cristo pode nos colocar em posição de estar em pé diante de Deus. Somente o Redentor da Cruz pode fazer com que Deus seja propicio a nós, os pecadores. Estamos diante da mais bela e importante realidade.
“Quando, como seres pecaminosos e sujeitos ao erro, chegamos a Cristo e nos tornamos participantes de Sua graça perdoadora, surge o amor em nosso coração. Todo peso se torna leve; pois é suave o jugo que Cristo impõe. O dever torna-se deleite, o sacrifício prazer. O caminho que dantes parecia envolto em trevas, torna-se iluminado pelos raios do Sol da Justiça.” (Caminho a Cristo, 59)
Conclusões
1. Como pecadores que somos, devemos reconhecer nossa indignidade.
2. Devemos ainda reconhecer nossos pecados porque isso não é uma opção e sim uma necessidade.
3. Supliquemos a Deus constantemente pelo perdão de nossos pecados
4. Confiemos unicamente nos méritos de Cristo para remissão de nossos pecados, pois somente Ele é a nossa propiciação.
quarta-feira, 23 de maio de 2018
Predestinação - não é tão simples assim
Pensarmos em um decreto pré-temporal, para eleger alguns e condenar outros incondicionalmente não é de fato uma eleição “em Cristo”. E porque não? Porque nesse contexto Cristo é dado posteriormente à eleição, ou seja, primeiro escolhe que vai se salvar para depois Jesus morrer por essas pessoas. Então a eleição não foi feita primariamente "em Cristo". Embora “em Cristo” às vezes seja introduzido nessa teoria de eleição, é somente como um método de efetivar a decisão divina. Por detrás desse “em Cristo” há ainda a etapa mais profunda de eleição e condenação. O ato de eleição em si é fora de Jesus Cristo. A eleição incondicional talvez fizesse mais sentido se ela fosse feita depois da morte de expiatória de Cristo (e olhe lá). Essa é uma questão que a ala reformada da igreja ainda não conseguiu solucionar. Inclusive é o que diz James Daane em seu livro "The Freedom of God".
O outra questão é que na ótica da eleição incondicional Deus é o autor e causador do mau. Ainda que alguns calvinistas neguem que Deus seja o autor do pecado, fica muito dificil dfender essa posição, ainda mais quando lemos eruditos reformados como Peter Y. de Jong dizer que “Deus claramente pré-ordena o mal”. (Crisis in the Reformed Churches) A biblia diz que o mal nasceu no coração do diabo enqto ele era perfeito e ainda habitava no céu. Seguindo o pensamento de Jong, foi Deus quem plantou essa semente maligna no coração de lùcifer. Logo podemos ver um Deus que é pior do que o diabo, uma vez que esse Deus é quem o estabeleceu como portador do mal. Observe, o texto de Ez 28:15 diz que Lúcifer era "perfeito em seus caminhos". Então Deus destruiu essa perfeição, e isso o torna o vilão causador do mal.
Importante que esse dois pontos de reflexão que estou colocando, são propostos pelos próprios reformados, não se trata de um argumento de oponente, mas sim de uma questão de ordem lógica que os próprios calvinistas nao conseguiram ainda responder.
E mais uma coisa. Fique claro que não acho que Calvino tenha sido um teólogo inexpressivo, ou não fosse um cristão genuíno. Calvino, Lutero, Huss, Arminio, Aquino, Agostinho, e tantos outros cometeram erros e acertos.A questão pra mim é encontrarmos teologica e logicamente um ponto de equilibrio das declarações desses grandes homens de Deus
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Extraído e adaptado de https://setimodia.wordpress.com/2008/11/25/10-principais-dificuldades-do-sistema-teologico-calvinista/
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