quinta-feira, 24 de maio de 2018

Jesus - a nossa propiciação "hilastērion"

Texto: Lucas 18:13, Romanos 3:23-25

INTRODUÇÃO

O evangelho de Lucas foi chamado o livro mais encantador do mundo. Uma vez um americano pediu a Denney que lhe recomendasse um bom livro sobre a vida de Cristo, ao que este respondeu: "Você já leu o que escreveu Lucas?" Não seria muito desacertado dizer que o terceiro evangelho é a melhor “vida de Cristo” que se escreveu. (Barclay, 4).

A tradição vincula cada um dos quatro evangelhos a um símbolo. Mateus é simbolizado pelo leão. Já o evangelho de Marcos é simbolizado pelo homem. No caso do livro de João temos o símbolo de uma águia. O evangelho escrito pelo médico Lucas é simbolizado pelo bezerro. O bezerro é símbolo de oferta pelo pecado. Logo, é assim que Lucas vê a Jesus. Ele vê o Mestre como sacrifício e propiciação para todo o mundo, não somente para esse ou aquele grupo. Lucas mostra um Salvador Universal!

Objetivos: (1)mostrar que todos somos pecadores; (2) demonstrar a postura do pecador verdadeiramente arrependido; (3) Esclarecer que somente Cristo Jesus é quem pode nos perdoar, nos habilitar para estarmos na presença de Deus.

Proposição: Embora as Escrituras nos mostre claramente que não há possibilidade de o homem ser salvo pro seus próprios méritos, algumas pessoas insistem em agir como se sua conduta fosse suficiente para obterem a salvação. Contudo, existem também aqueles que nunca se esquecem que “todos pecaram”, que obrigatoriamente “carecem da glória de Deus”. Na parábola do fariseu e do publicano, Jesus mostra claramente a distinção entre os dois grupos, e Paulo vai nos dar ainda uma visão mais ampla do significado do pedido daquele judeu publicano.

I – SIMBOLO DE DUAS CLASSES DE PECADORES

São pecadores, mas se esqueceram (v. 11,12)

Os fariseus eram pessoas respeitáveis perante a sociedade judaica. O próprio Cristo deu destaque a esse fato ao dizer que se a justiça humana não exceder em muito a justiça dos fariseus, não seria possível alcançar o reino de Deus. Podemos dizer que, se uma pessoa pudesse chegar ao Céu por meio de seus atos, os fariseus seriam fortes candidatos. E confiando nisso, o fariseu da parábola vai ao templo. Tem no seu coração o orgulho, a prepotência de imaginar que todos os seus atos são suficientes para coloca-lo em situação privilegiada diante de Deus.

Alguém disse que, a fala do fariseu é tão arrogante que, só faltava Deus aparecer a ele e perguntar: “Ok meu filho. Quanto eu te devo?” Existe um texto na tradição judaica atribuído à Simeão Ben Jochai onde ele declara: "Se só houvesse dois homens retos neste mundo, seríamos meu filho e eu; se só houvesse um, esse seria eu!" O fariseu realmente não foi orar, foi informar a Deus a respeito de quão bom era ele. (Barclay)

O fariseu da história de Jesus se esqueceu que era um pecador “miserável, pobre, cego e nu”. É mais ou menos como um peixe esquecer que precisa de agua para sobreviver, e assim tentar viver fora do aquário. Está condenado a morte!

Ellen White diz que, “Quando o pecado embota as percepções morais, o transgressor já não discerne os defeitos de seu caráter, nem reconhece a enormidade do mal que cometeu; e a menos que se renda ao poder persuasivo do Espírito Santo, permanece em parcial cegueira quanto aos seus pecados. Suas confissões não são sinceras e ferventes.(Caminho a Cristo, 40)

São pecadores e nunca se esquecem (v. 13)

Jesus agora coloca outro personagem na história. Dessa vez um publicano, e segundo a ótica de Lucas, um dos rejeitados. Um publicano era um cobrador de impostos, e talvez alguém pergunte: “que mal há em ser um cobrador de impostos?” Em situações normais diríamos, que não há qualquer mal nisso, afinal é um trabalho digno e necessário, ainda mais quando pensamos que muitas pessoas sonegam impostos e são corruptas. Mas o publicano nos dias de Cristo era um judeu que aceitou trabalhar para Roma, e assim cobrar os abusivos impostos  que o império exigia da população. Assim, não é difícil entender porque os publicamos são constante comparados à pecadores para os judeus “piedosos” daqueles dias. Jesus então está falando de alguém que está precisamente do lado oposto do fariseu, pelo menos na ótica humana.

Mas diferentemente do fariseu que se mostrou o “rei da cocada preta”, o publicano não tem dúvidas de quem ele realmente é. Sua atitude e suas palavras nos mostram isso. “Mantinha afastado, e nem sequer elevava os olhos a Deus. As versões comuns não fazem justiça à sua humildade, pois em realidade sua oração foi: ´Deus, sê propício a mim – o pecador´, como se não fosse meramente pecador, e sim o pecador por excelência.” (Barclay)

Esse homem nunca havia se esquecido de sua condição, nunca havia esquecido suas origens, nunca havia esquecido que era um pecador, merecedor da morte!

II – SIMBOLO DO PERDÃO DE DEUS

Vamos agora abrir um parêntese para tentar entender o que Jesus (ou Lucas) tinha em mente quando usou a expressão “sê propicio a mim”.

O propiciatório e a presença de Deus (Ex 25:17-22)

Depois de tirar o povo israelita do Egito, o Senhor pede a eles que construam um santuário. O motivo talvez mais significativo seja aquele expresso em Êxodo 25:8, quando Deus declara: “para que eu possa habitar no meio deles”. Mas além disso existiam lições a serem ensinadas por meio do santuário, era o desejo de Deus que os israelitas entendessem tais lições, que apontavam para obra redentora de Jesus.

“O edifício era dividido em dois compartimentos por uma rica e linda cortina (Santo e Santíssimo),... A tenda sagrada ficava encerrada em um espaço descoberto chamado o pátio,... No pátio, e bem perto da entrada, achava-se o altar de cobre para as ofertas queimadas, ou holocaustos. Sobre este altar eram consumidos todos os sacrifícios feitos com fogo ao Senhor,... Entre o altar e a porta do tabernáculo, estava a pia, que também era de cobre,... No primeiro compartimento, ou lugar santo, estavam a mesa dos pães da proposição, o castiçal ou candelabro, e o altar de incenso.... Precisamente diante do véu que separava o lugar santo do santíssimo e da presença imediata de Deus, achava-se o áureo altar de incenso.

Além do véu interior estava o santo dos santos, onde se centralizava a cerimônia simbólica da expiação e intercessão, e que formava o elo de ligação entre o Céu e a Terra. Nesse compartimento estava a arca, uma caixa feita de acácia, coberta de ouro por dentro e por fora, e tendo uma coroa de ouro em redor de sua parte superior. Fora feita para ser o receptáculo das tábuas de pedra, sobre as quais o próprio Deus escrevera os Dez Mandamentos.... A cobertura da caixa sagrada chamava-se propiciatório. Este era feito de uma peça inteiriça de ouro, e encimado por querubins do mesmo metal, ficando um de cada lado.  ... Acima do propiciatório estava o shekinah, manifestação da presença divina; e dentre os querubins Deus tornava conhecida a Sua vontade.” (PP 347-349).

O propiciatório e o pedido de perdão (Lv 16:15,16)

Além de ser o local da manifestação da glória de Deus, o propiciatório era o local onde o sangue do bode sacrificado no dia da expiação era aspergido. Ao aspergir o sangue sobre o propiciatório, o sumo sacerdote estava entregando a Deus, a oferta pelo pecado do povo, e não apenas o pecado de um dia, mas de todo o ano. O texto é bastante forte, pois diz que era feita expiação por todas as impurezas lançadas no santuário durante o ano, por todos os pecados do povo. Seguindo a lógica dos símbolos e dos rituais que envolvem o santuário, percebemos que ao lançar o sangue sobre o propiciatório, o sacerdote estava suplicando a Deus que aceitasse o pedido de perdão da nação. Diante de Deus, da sua santa presença eram lançados os pecados do povo, a assim havia um pedido de perdão, de misericórdia. Era a súplica pela graça divina! Era como se o povo todo dissesse naquele momento: “Senhor, sê propicio a mim pecador.” O verso 31 mostra que esse dia era um dia de grande expectativa e o sentimento que devia tomar o povo era o de contrição, arrependimento, reconhecimento de sua condição pecaminosa – “afligireis a vossa alma”.

Aqui vemos um paralelo com a reação do publicano da parábola. Ele estava aflito, se sentia o maior dos pecadores, e sabia que se Deus não olhasse com misericórdia ele não poderia sobreviver ao juízo divino, pois nada que ele fizesse poderia coloca-lo em vantagem, nada que ele fizesse poderia desviar a punição de seu pecado. Somente o perdão de um Deus de amor seria capaz de tal ato!

III – SIMBOLO DO VERDADEIRO ARREPENDIMENTO

1. Uma necessidade “sê propicio a mim pecador” (v. 13)

Quando voltamos ao texto de Lucas, vemos que, o publicano estava perfeitamente ciente de sua necessidade. Ele não precisava de dinheiro, não precisava de finas roupas, nem ao menos do favor dos homens. O que aquele homem mais carecia era da misericórdia divina, ele necessitava do perdão de Deus apesar de suas falhas.

Esse reconhecimento, esse senso de incapacidade é que faz do publicano merecedor da atenção de Deus. Observemos que Jesus afirma que foi esse publicano, rejeitado, traidor, talvez até desonesto que saiu dali justificado. O publicano sabia que estava doente, sabia que precisava de socorro urgente, e mais ainda, sabia quem exatamente era Aquele que podia cura-lo. Ao contrário do fariseu que se exaltou, que se declarou justo, o publicano se coloca como alguém que tem todas as credenciais do mal. No verso 14 Jesus diz que todo aquele que se exalta será humilhado, e exaltação aqui está ligada exatamente ao senso de salvação pelas obras, ao pensamento de que Deus irá me premiar por aquilo que faço ou por aquilo que tenho.

Quando olhamos para o publicano, percebemos alguém que está diante de uma forte necessidade, a necessidade de ser perdoado! “A confissão não será aceitável a Deus sem o sincero arrependimento e reforma. E preciso que haja decisivas mudanças na vida; tudo que seja ofensivo a Deus tem de ser renunciado. Este será o resultado da genuína tristeza pelo pecado.” (Caminho a Cristo, 39)

2. Uma realidade “Cristo é a nossa propiciação” (Rm 3:23-26)

O apostolo Paulo divinamente inspirado nos mostra que a reação do povo de Israel no dia da expiação e também a atitude do publicano na parábola, é exatamente o que se espera daqueles que professam terem aceitado a Cristo como seu único salvador.

“Paulo utiliza a metáfora do sacrifício. Diz de Jesus Cristo que Deus o apresentou como alguém que pode obter o perdão de nossos pecados. A palavra que Paulo usa para descrever a Jesus Cristo é a palavra grega hilasterion. A palavra provém do verbo grego que denota conciliar. É um verbo que tem que ver com o sacrifício.” (Barclay, 68)

Nesse texto Paulo aponta tanto para a metáfora do santuário como também nos faz considerar a atitude do publicano. O apostolo está nos mostrando que, a menos que confiemos unicamente nos méritos de Jesus, nunca poderemos ser salvos. Ele afirma que somos “justificados unicamente por sua graça”. Não há espaço para orgulho, não há espaço para pensarmos em méritos ou vantagens. Não importa se você é crente a 30 anos, também não interessa se você guarda os dez mandamentos, assim como também não importa se você devolve fielmente os dízimos ou é vegetariano. Essas coisas obviamente são importantes, mas não podem salvar quem quer que seja, pois se pudessem, o fariseu da história não deveria ser censurado por Cristo. Ele fazia tudo isso e mais um pouco!

Paulo aqui nos faz ver uma realidade: Somente Jesus Cristo pode nos colocar em posição de estar em pé diante de Deus. Somente o Redentor da Cruz pode fazer com que Deus seja propicio a nós, os pecadores. Estamos diante da mais bela e importante realidade.

“Quando, como seres pecaminosos e sujeitos ao erro, chegamos a Cristo e nos tornamos participantes de Sua graça perdoadora, surge o amor em nosso coração. Todo peso se torna leve; pois é suave o jugo que Cristo impõe. O dever torna-se deleite, o sacrifício prazer. O caminho que dantes parecia envolto em trevas, torna-se iluminado pelos raios do Sol da Justiça.” (Caminho a Cristo, 59)

Conclusões

1. Como pecadores que somos, devemos reconhecer nossa indignidade.
2. Devemos ainda reconhecer nossos pecados porque isso não é uma opção e sim uma necessidade.
3. Supliquemos a Deus constantemente pelo perdão de nossos pecados
4. Confiemos unicamente nos méritos de Cristo para remissão de nossos pecados, pois somente Ele é a nossa propiciação.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Predestinação - não é tão simples assim

Pensarmos em um decreto pré-temporal, para eleger alguns e condenar outros incondicionalmente não é de fato uma eleição “em Cristo”. E porque não? Porque nesse contexto Cristo é dado posteriormente à eleição, ou seja, primeiro escolhe que vai se salvar para depois Jesus morrer por essas pessoas. Então a eleição não foi feita primariamente "em Cristo". Embora “em Cristo” às vezes seja introduzido nessa teoria de eleição, é somente como um método de efetivar a decisão divina. Por detrás desse “em Cristo” há ainda a etapa mais profunda de eleição e condenação. O ato de eleição em si é fora de Jesus Cristo. A eleição incondicional talvez fizesse mais sentido se ela fosse feita depois da morte de expiatória de Cristo (e olhe lá). Essa é uma questão que a ala reformada da igreja ainda não conseguiu solucionar. Inclusive é o que diz James Daane em seu livro "The Freedom of God".

O outra questão é que na ótica da eleição incondicional Deus é o autor e causador do mau. Ainda que alguns calvinistas neguem que Deus seja o autor do pecado, fica muito dificil dfender essa posição, ainda mais quando lemos eruditos reformados como Peter Y. de Jong dizer que “Deus claramente pré-ordena o mal”. (Crisis in the Reformed Churches) A biblia diz que o mal nasceu no coração do diabo enqto ele era perfeito e ainda habitava no céu. Seguindo o pensamento de Jong, foi Deus quem plantou essa semente maligna no coração de lùcifer. Logo podemos ver um Deus que é pior do que o diabo, uma vez que esse Deus é quem o estabeleceu como portador do mal. Observe, o texto de Ez 28:15 diz que Lúcifer era "perfeito em seus caminhos". Então Deus destruiu essa perfeição, e isso o torna o vilão causador do mal.

Importante que esse dois pontos de reflexão que estou colocando, são propostos pelos próprios reformados, não se trata de um argumento de oponente, mas sim de uma questão de ordem lógica que os próprios calvinistas nao conseguiram ainda responder.

E mais uma coisa. Fique claro que não acho que Calvino tenha sido um teólogo inexpressivo, ou não fosse um cristão genuíno. Calvino, Lutero, Huss, Arminio,  Aquino, Agostinho, e tantos outros cometeram erros e acertos.A questão pra mim é encontrarmos teologica e logicamente um ponto de equilibrio das declarações desses grandes homens de Deus

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Extraído e adaptado de https://setimodia.wordpress.com/2008/11/25/10-principais-dificuldades-do-sistema-teologico-calvinista/ 

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

JESUS FOI GERADO PELO PAI?

Existem muitos textos que, se não forem interpretados corretamente podem gerar problemas para o entendimento da mensagem bíblica. Dessa forma, é muito importante uma leitura atenta e desprovida de interesses pessoais ou pontos de vista “apaixonados”.

Existem pelo menos dois textos usados para defender a posição de que Cristo é um ser gerado, uma criatura. O primeiro deles é o texto messiânico do Salmo 2:7 onde lemos: “Proclamarei o decreto: o Senhor me disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei”. O segundo texto é o de Colossenses 1:15 que diz: “O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação”. A pergunta então é, como entender esses dois textos? Também devemos refletir se seria Cristo então uma criatura, uma espécie de Deus menor como alguns defendem?

O SALMO MESSIANICO

No caso do Salmo 2:7 o texto está falando primariamente sobre o Rei de Israel (monarca), e o que está sendo dito ali de forma resumida é que, Deus o colocou (o rei) naquela posição, ele foi escolhido (ungido) por Deus para exercer aquela função. Em suma, a posição daquele homem é fruto da vontade divina. Podemos entender que o homem (Davi por exemplo) já existia, mas Deus o fez rei, ou seja o gerou como Ungido.

Quando aplicamos o texto à pessoa de Cristo, a situação muda consideravelmente. O comentário de Beacon diz que,

“... Estas palavras são aplicadas à ressurreição de Jesus por Paulo em seu sermão em Antioquia (At 13.33), e pelo escritor aos Hebreus, tanto em relação à filiação de Jesus como sendo superior aos anjos (Hb 1.5) como em Cristo ter sido feito sumo sacerdote pela própria ação de Deus (Hb 5.5). Somente neste texto do AT o termo gerei é usado tendo o Senhor como seu tópico. Em relação a Cristo, a palavra hoje tem recebido diversas interpretações. Ela pode ser entendida como o “dia” da sua geração eterna, o dia da sua concepção pela virgem ou o dia da sua ressurreição (Rm 1.4). Alguns entendem que todo o seu estado encarnado é visto como o seu “dia”.” [1]

É importante notarmos então que as aplicações são diferentes. Não podemos dizer que o rei e Cristo estão em pé de igualdade no momento de fazermos as devidas aplicações do texto.

Derek Kidner em seu comentário dos Salmos relata também:

“Aqui, as palavras podem ter sido faladas como oráculo ou lidas em alta voz pelo rei (“Proclamarei...”) no rito da coroação,3 como sugere a palavra hoje, para marcar o momento em que o novo soberano formalmente assumiu sua herança e seus títulos. A conexão entre esta proclamação e a ressurreição, em At 13:33 (cf. Rm 1:4), é duplamente significativa contra tal pano de fundo. Para qualquer rei terrestre, esta forma de trato somente poderia suportar uma interpretação levíssima; o Novo Testamento, no entanto, nos obriga a aceitar seu valor inteiro que exclui os próprios anjos, deixando um só candidato de posse do titulo (Hb 1:5). Na ocasião do batismo de Cristo, e na da Sua transfiguração, o Pai O proclamou Filho e Servo, em palavras tiradas deste versículo e de Isaías 42:1 (Mt 3:17; 17:5; 2 Pe 1:17).[2]

Sendo assim, os textos não parecem mostrar uma geração em termos de existência, mas sim em termos de posição/função. E o problema óbvio de colocarmos Cristo como um ser gerado, recai sobre seu papel enquanto Criador. Nesse caso a pergunta mais importante seria: como admitir que uma criatura tivesse as prerrogativas de ser o Criador tal qual YHWH? A resposta então deve se basear no que a Bíblia diz sobre o Filho como Criador, e em João 1:1-3, é dito entre outras coisas que o Verbo (Jesus) “era Deus”. Se João imaginasse que Jesus não era Deus como Pai, ele teria explicado isso na abertura do seu livro, e obviamente isso não acontece.

Usar esse texto (Salmo 2:7) para defender que Jesus é um ser gerado por Deus não se mostra uma alternativa plausível e coerente com o restante do texto bíblico.

O PRIMOGÊNITO

Colossenses 1:13-23 é um texto bastante importante no que diz respeito a identidade Jesus e sua atuação como nosso Salvador. Paulo nesse texto está mostrando que Cristo é o Redentor do mundo e tudo que nele existe. O Apóstolo faz uso do termo “primogênito”, fazendo claramente uma referência à importância de que Jesus tem. Vale lembrar que, para o entendimento pleno do que o Paulo está falando devemos ler todo do parágrafo, e não somente o verso 15.

A palavra “primogênito” não indica necessariamente geração ou filiação. O AT faz uso do termo apontando para a importância de determinado personagem, não tendo necessariamente a intenção de se referir a ele como o primeiro em termos de geração ou cronologia. Alberto Timm, explica de forma simples o uso da palavra “primogênito” no AT quando diz:

Para entender essa questão, é importante ter em mente que, entre os israelitas, todo o primogênito deveria ser consagrado ao Senhor (Êx 13:1-16; ver Lc 2:22-24), recebendo herança “dobrada” em relação aos demais irmãos (Dt 21:15-17). Embora o termo “primogênito” seja normalmente usado para designar o primeiro filho de um casal, ele é também empregado na Bíblia em relação a um dos demais filhos, que não o mais velho, mas que tenha se destacado entre os seus irmãos. É neste sentido que Deus qualificou a Israel, que não era a nação mais antiga da terra, de “meu primogênito” (Êx 4:22); a Efraim, o segundo filho de José e Azenate, de “o meu primogênito” (Jr 31:9); e a Davi, o mais novo dos oito filhos de Jessé, de “meu primogênito, o mais elevado entre os reis da terra” (Sl 89:27).[3]

Dessa forma, ao olharmos para o texto de Paulo à luz das ferramentas hermenêuticas corretas, veremos que “Cristo é qualificado de “o primogênito de toda a criação” (Cl 1:15) em um contexto que O enaltece como o Criador que está acima de toda a criação”.[4] O texto está apontando para importância que Jesus tem, e não está declarando sua origem. Se conectarmos esse texto, ao que diz Isaias em 9:6 de seu livro, a interpretação de Jesus como um ser gerado fica ainda mais absurda. O profeta afirma: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz”

Como um ser criado pode ser “Deus Forte”? Como alguém que teve um inicio pode ser chamado de “Pai da eternidade”? Essas perguntas não podem ser desconsideradas ao tratarmos da geração ou eternidade de Cristo.

Pr. Vanius Henrique Dias
vaniusdias@hotmail.com



[1] Comentário Bíblico Beacon, Volume3, pag. 117
[2] Salmos 1 – 72. Introdução e Comentário, pag. 66, 67
[3] Alberto R. Timm - "Como Cristo pode ser “o primogênito de toda a criação” (Colossenses 1:15) sem ter sido criado?" Disponível em http://centrowhite.org.br/perguntas/perguntas-e-respostas-biblicas/sem-contradicao/
[4] Ibdem

terça-feira, 31 de outubro de 2017

500 de Rerforma Protestante

Hoje é um dia de celebração. Estamos celebrando 500 anos que Lutero rompeu com a igreja católica, fazendo assim que o cristianismo sofresse uma grande racha. A idéia da Reforma era romper com os ensinos equivocados da Igreja, mostrando entre outras coisas que a salvação poderia ser alcançada sem a intermediação do clero - Salvação pela graça! Isso foi inovador, maravilhoso, e mudou drasticamente a maneira de nos relacionarmos com Deus e com a Bíblia.

Ocorre que, quando olho para mundo religioso não vejo protesto, não vejo distinção. Infelizmente o protestantismo não foi tão fundo como poderia ter ido, e nós em muitos assuntos ainda partilhamos ensinos da Igreja de Roma como se fossem realmente verdade.

Só a título de exemplo, e poderia citar muitos mais, vamos pensar na teologia da prosperidade. Os padres católicos vendiam suas indulgências em troca das ofertas e dádivas do povo. Para serem salvos, ou mesmo para salvar um familiar do inferno, bastava pagar à Igreja a quantia estabelecida e pronto, o milagre aconteceria.

Bom, não é isso que acontece em muitas igrejas atualmente? São oferecidos todo tipo objeto (meia, fronha, vassoura, lenço e etc) em troca da fé em forma de recurso financeiro. Promessas de fartura e abundância financeira são feitas àqueles que tiverem fé suficiente para doar para a igreja o valor estipulado.

Esse é um exemplo, mas poderíamos falar muito mais coisa (fica pra outra hora). O fato é que o tal rompimento com a com Igreja Católica ainda não é pleno. Muito do nosso cristianismo ainda está mergulhado em pressupostos católicos que, consciente ou inconscientemente tem nos ligados à igreja católica mais do que imaginamos.

Meu propósito aqui não denegrir ou criticar a fé católica, mas questionar o posicionamento de tantos “crentes” que gostam de falar detonar dos “católicos” sem saber ou reconhecer que a doutrina protestante, pentecostal ou neopentecostal está submersa nos ensinamentos da Igreja de Roma.

Se é pra protestar, então protestemos direito. Concordemos com a Bíblia, e deixemos as tradições e opiniões fora da discussão. “Sola Scriptura”



terça-feira, 29 de agosto de 2017

FILHOS REBELDES Deuteronômio 21.18-21

O texto de Deuteronômio pode para muitas pessoas soar contraditório. 
Uma vez que a Bíblia diz claramente que não devemos tirar a vida uns dos outros, como entender então a permissão dada pelo SENHOR para que, os filhos desobedientes sejam mortos?
Abaixo um comentário do referido texto, feito por J.A Thompson, que pode elucidar um pouco da questão. O comentário completo pode ser encontrado no livro "Deuteronômio - Introdução e Comentário; Editora Vida Nova.

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O filho contumaz e rebelde (21: 18-21). Embora fosse necessário proteger o primogênito de um pai volúvel e caprichoso, também era necessário fortalecer a autoridade do pai em certos casos. Uma família estável era fundamental para uma sociedade estável e o respeito aos pais era vital para toda a comunidade de Israel (5: 16). Um filho que ferisse ou amaldiçoasse seus pais era passível de pena de morte, segundo Êxodo 21: 15, 17; Levítico 20: 9. O livro de Deuteronômio segue o mesmo preceito e apresenta aqui um esboço do processo a ser seguido. O caso é descrito em frases condicionais, num tipo de lei casuística.
18. O filho é descrito como contumaz (sôrèr) e rebelde (môreh), desobediente à voz de seus pais. O limite da autoridade paterna era o castigo corporal. Além desse ponto a tarefa ficava confiada aos anciãos da cidade. A queixa deveria ser julgada por juizes imparciais. Se, de fato, os pais chegavam a este extremo não se pode saber. Podemos ter aqui outro exemplo de penalidade formulada de maneira extrema para sublinhar a natureza grave do crime.
19. Tanto o pai quanto a mãe tinham a responsabilidade de levar o filho aos anciãos, cujo dever era tratar das ofensas contra a ordem social e os direitos da família (19: 12). Os anciãos se reuniam à porta da cidade, o lugar costumeiro para a administração da justiça (22: 15; 25: 7; Rt 4: 1, 2, 11; Jó 31:21; SI 127:5; Is 29: 21; Am 5: 10, 12, 15). É interessante notar que ambos os pais deveriam agir em acordo nesta situação tão drástica, que poderia facilmente terminar com a morte do filho. A decisão judicial, todavia, cabia aos anciãos, pois a ofensa era preocupação mais que familiar. Era uma ofensa a toda a comunidade.
20. A acusação era formulada. Este nosso filho é contumaz erebelde, não dá ouvidos à nossa voz; é glutão e beberrão. A razão da apresentação da queixa fica aparente no final do versículo (cf. Pr 23: 21; 28:7). Talvez estas fórmulas sejam citadas apenas como exemplos do tipo de acusação a ser feita em tais ocasiões, já que outros problemas além de glutonaria e bebedice poderiam levar um homem a ser um perigo para sua comunidade. É digno de nota o fato de que apenas o testemunho dos pais era necessário (cf. 19: 15-21, no tocante a criminosos). A natureza deste caso excluía o perigo do falso testemunho derivado de ódio pessoal.
21. Se os anciãos considerassem aquele homem culpado, a sentença seria morte por apedrejamento. Não era exigido aos pais participar, talvez por uma questão de delicadeza, embora mais provavelmente para enfatizar o fato de que o poder de vida ou morte sobre seus filhos não lhes cabia. Somente a comunidade podia administrar justiça em caso de conduta desregrada que fosse perigosa à ordem familiar. Embora não se encontre exemplo da execução desta sentença nas páginas do Velho Testamento, as prescrições aqui apresentadas deixam patente a seriedade do crime. A lei parece subjazer as palavras de Jesus em Marcos 7:10. O contexto da referência é a obrigação do cuidado dos pais pelos filhos. Nem mesmo o voto de apresentar uma oferta para o Templo deveria impedir alguém de sustentar seus pais. Se houvesse qualquer tradição oral afirmando que tais votos absolviam os filhos do cuidado de seus pais, tal lei oral, no ponto de vista de Jesus, invalidava a Palavra de Deus. Aos olhos de Jesus tal atitude era uma quebra do mandamento “Honra a teu pai e tua mãe” e exigia a sentença “Quem falar mal de seu pai ou sua mãe certamente morrerá.” Esta exposição da obrigação de um filho para com seus pais é realmente impressionante. No Novo Testamento os pais são exortados a não provocarem seus filhos à ira (Ef 6: 4). Por outro lado, entretanto, o livro de Provérbios afirma que “aquele que retém a vara odeia a seu filho” (13: 24). Há, no pensamento bíblico, um delicado equilíbrio nos relacionamentos entre pais e filhos.
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CONCLUSÃO 
Percebemos então que, essa era uma medida prevista nas leis civis do povo hebreu, mas é difícil imaginar que algum pai de fato cumprisse tal determinação legal. O que o texto bíblico pretende mostrar é que, os filhos devem ser obedientes aos pais, e que o comportamento de rebeldia é condenado por Deus. Os pais são representantes de Deus, e não obedece-los, não respeita-los, implica em agir contra o próprio SENHOR.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

ESCREVA SUA HISTÓRIA Jó 19:23-26

INTRODUÇÃO
Além de escrever os cinco primeiros livros da Bíblia Sagrada (Torah), Moisés também escreveu o livro de Jó. Provavelmente durante o período que viveu em Midiã após a fuga do Egito Moisés recebeu a revelação da história do patriarca Jó.
O livro de Jó apresenta um estrutura em prosa e poesia (A – B – A).
A) Prólogo: (1) a vida feliz e irrepreensível de Jó; (2) Teste da devoção e fidelidade de Jó; (3) A chegada dos três amigos de Jó (Elifaz, Bildade e Zofar).
B) Diálogo: (1) O lamento de Jó; (2) Primeira rodada de discursos; (3) Segunda rodada de discursos; (4) Terceira rodada de discursos; (5) Discurso conclusivo de Jó.
B) Hino à sabedoria (28:1-28)
B) Monólogos: (1) A oratória de Jó; (2) Os discursos de Eliú; (3) A Revelação de Deus e a reação de Jó (38:1-42:6)
A) Epílogo (42:7-17): (1) O veredicto de Deus; (2) A restauração de Jó;
Vamos analisar uma parte desses diálogos entre Jó e seus amigos. Precisamente o texto do capítulo 19 versos 23 à 26, onde Jó faz um pedido curioso. Esse pedido foi atendido, mas Jó ainda não sabe.
A situação de Jó
Como sabemos, Jó passou de homem importante e prestigiado à uma pessoa sem valor e desprezado. Perdeu tudo que tinha, perdeu seus filhos, empregados, saúde. Estava em uma situação que nós costumamos chamar de "o fundo do poço", não via nenhuma luz no fim do túnel.
Embora Jó estivesse profundamente abatido, triste e cheio de dúvidas, ele não perdeu a fé. Nesse ponto, é importante salientar que duvidar, questionar, ter medo, buscar respostas, não é pecado. Deus não nos condenará pelo fato de não entendermos os seus planos. O SENHOR não é injusto, Ele conhece nossas limitações e sabe que algumas coisas são profundas demais para a mente humana (Dt 29:29).
As dúvidas e questionamentos de Jó ficam claras em algumas passagens (6:4,11,29; 10:7; 13:20-23). Ele não entendia o porque de tanto sofrimento, estava triste e profundamente abalado, mas suas palavras mostram também que ele não tinha perdido sua fé.
Da mesma forma, nós podemos ter dúvidas, podemos nos entristecer, podemos questionar, mas é fundamental que não percamos a fé. Precisamos confiar em Deus, suas promessas e seu poder que é maior do que qualquer montanha de dificuldade que enfrentemos.
Nem sempre será possível responder os porquês que encontramos ao longo do caminho. Porque fiquei desempregado? Porque me traíram? Porque estou com essa doença? Porque meu filho está doente? Porque perdi minha mãe?  Porque essa tragédia em minha vida?
Todas essas perguntas são reais, e seria muito bom termos respostas automáticas para elas. Contudo não é assim. A verdade é que, assim como Jó ficaremos sem entender muitas das coisas acontecem em nossa vida. Se olharmos de forma macro, podemos dizer com segurança que a entrada do pecado em nosso planeta é a razão de tudo isso. No relato de Jó vemos que foi o Diabo que causou toda aquela desgraça na vida do patriarca. Mas mesmo entendendo isso, fica ainda difícil aceitar com tranquilidade uma situação de dor e sofrimento.
Em outras palavras, não temos todas as respostas e somente quando nos encontrarmos com Deus face a face é que poderemos começar a entender esses porquês. Até lá o que nos resta de fato é saber, crer, confiar que o nosso Redentor vive, e sim, Ele certamente se levantará para colocar fim a todas as nossas angústias, dores, decepções e frustrações, que são recorrentes em um mundo contaminado pelo mal, escravizado pelo pecado.
A história escrita
Nos versos 23 e 24 do capitulo 19, Jó faz um inusitado pedido. Ele pede que sua história seja registrada, quer que seja contado ao mundo tudo o que lhe aconteceu de forma injusta. O pedido de Jó traz consigo a esperança de que um dia será mostrado que todas as acusações que ele sofreu foram na verdade uma injustiça cruel.
Mas é curioso que ele ao pedir que seja registrada a sua história, solicite que isso seja feito em um material pouco comum. Ele diz “com pena de ferro e com chumbo, para que fossem esculpidas na rocha”. Nesse ponto da história Jó está pedindo que tudo seja registrado de forma permanente. Ele deseja que os fatos sejam registrados e guardados até o dia do juízo final.
Jó tinha tanta confiança na justiça divina que ele queria ver seu caso repassado à vista do universo, para que nesse momento ele fosse julgado com verdadeira justiça.
É interessante perceber que Deus atendeu esse pedido. Um pedido aparentemente simples, mas que ao ser atendido causaria um tremendo impacto no mundo. Jó não sabe, mas seu pedido foi atendido, sua história foi escrita, e hoje é fonte de inspiração para muitas pessoas que têm enfrentado as lutas e provas do dia a dia.
Jó morreu, mas sua experiência, sua perseverança ficaram para nos mostrar que não podemos desistir, não podemos fraquejar na fé. A história de Jó foi escrita, e hoje é um exemplo de como nos comportarmos em horas em que a dor, a dúvida, o medo vem sobre nós. Jó está morto, mas continua falando a nós através da sua perseverança e fé.
Escreva sua história
E quanto a nós, que tipo história estamos escrevendo? Que legado vamos deixar para as próximas gerações? Que história será contada sobre nós na eternidade?
A Bíblia diz que um dia tudo será descoberto, tudo será revelado e nada ficará escondido. Sendo assim, estamos agora escrevendo uma história que pode não estar entre os best sellers deste mundo, mas certamente será lida no dia da prestação de contas à vista de todo o universo.
Que história você quer escrever? O que você deseja que seja contado a seu respeito na eternidade? Jó será reconhecido por muitos, por ser aquele que em meio às duras lutas não fraquejou, não desistiu. Será lembrado sempre como o homem integro e reto, que sempre procurou se desviar do mal. Jó sempre será uma referencia positiva, mesmo que não tenha sido capaz de compreender tudo o que estava acontecendo.
E você? Não quer começar hoje a escrever sua história nos livros do céu? Não quer que sua história de vitória seja registrada afim de que o mundo conheça o poder de Deus através da sua vida?
CONCLUSÃO
Deus te chama agora e te dá uma folha em branco para você começar a reescrever sua história, uma linda história, uma história de vitória que terá em seu capítulo final a frase do próprio Deus: “Bem estar servo bom e fiel, entra no gozo do teu Senhor”... “eis que faço novas todas as coisas”... “já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram”. (Mt 25:21; Ap 21:4,5)

A eternidade está às portas, por isso tenha certeza que as aflições que você tem enfrentado vão terminar. Mas até lá, resista, fique firme, não desista! Sua história está sendo registrada nos livros do Céu, e em breve o Seu redentor se levantará para fazer justiça à você!

segunda-feira, 3 de julho de 2017

VOCÊ TEM CERTEZA? - Marcos 10:46-52

INTRODUÇÃO
Possuir uma deficiência seja ela qual for, não é e nunca será fácil. Dificuldades de acessibilidade, preconceito, variadas formas de rejeição, são algumas das dificuldades que as pessoas com necessidades especiais enfrentam.
Segundo a OMS, com dados de 2011, 1 bilhão de pessoas vivem com alguma deficiência – isso significa uma em cada sete pessoas no mundo. 
Além disso, mais de 50% das pessoas com deficiência não conseguem pagar por serviços de saúde.
Em um estudo realizado em 2003 pela Universidade de Rutgers (EUA), um terço dos empregadores entrevistados disseram que acreditam que pessoas com deficiência não podem efetivamente realizar as tarefas do trabalho exigido. 
Se atualmente existem essas e outras dificuldades para pessoas que sofrem algum tipo de deficiência, imagine como deveria ser ainda pior nos tempos bíblicos.

Antigamente
No chamado “Manuscrito das Regras”, qualquer pessoa ferida na carne, paralíticos de pés ou mãos, aleijados, cegos e mudos, não podiam fazer parte da congregação.
Ainda, de acordo com o manual “A guerra entre os filhos da luz contra os filhos das trevas”, nenhum coxo, aleijado ou cego, era digno de ajuntar-se aos eleitos na guerra escatológica contra e a hostes de belial. Nenhum deles poderia participar do banquete messiânico, assim como não podiam ter acesso ao templo em Jerusalém, exceto, para pedir esmolas nos seus arredores.
Definitivamente, a vida não era nada fácil para pessoas como Bartimeu, o cego. Isso fica evidente na maneira como ele é tradado durante seu clamor por ajuda (v.48). Ao invés de ajuda-lo, de socorre-lo, as pessoas mandam que ele fique calado –  Exclusão  Social.
Para Jesus contudo a situação é vista de outra perspectiva. Ele vê a pessoa por trás da dor. Ele vê o rosto por de trás das lagrimas. Cristo não quer apenas promover o fim da dor ou do sofrimento, Ele deseja ver o ser humano feliz e realizado. Jesus quer promover cura em todas as dimensões do ser humano – física, mental e espiritual.
"Penso, às vezes, que se Deus fosse colocar uma etiqueta de preço nos seres humanos, mesmo naqueles que padrões humanos podem considerar como sem qualquer valor, o número seria tão grande que seria impossível ler. Em sua aceitação das pessoas Jesus proclamou que ninguém é excluído, a não exceto aqueles que decidem, por si mesmo, se excluir." (Rodor)

O desejo do cego
Não sabemos o que Bartimeu entendia com a expressão "Filho de Davi". Nós sabemos por sua persistência, no entanto, que ele estava convencido que a misericórdia de Deus está profusantemente disponível em Jesus. Ciente de nada ter para merecer a atenção de Jesus, ele grita "tem misericórdia de mim". (Mulholland)


Bartimeu tinha um problema que lhe causava além de inúmeros transtornos e constrangimentos, também fazia com seu coração ficasse triste, amargurado. Contudo, ele tinha alguma esperança. No momento em que ele fica sabendo da presença de Cristo, sem pensar duas vezes ele começa clamar o mais alto que podia. Ele queria ter certeza de que Jesus o ouviria, e tinha certeza de que, se Jesus o ouvisse, de modo algum ficaria sem resposta – Ele tinha uma fé profunda e inabalável.
Aquele homem sabia bem o que queria, sabia do que precisava e estava disposto a fazer tudo que estivesse ao seu alcance, pois tinha convicção de que Deus era poderoso para fazer por ele aquilo que lhe fosse impossível.

A resposta/pergunta de Jesus
Jesus então atende seu clamor. Conforme previsto pelo cego, o Messias, filho de Davi não o deixaria perecer à mingua. Com grande compaixão Jesus pede para traze-lo. Cristo estava disposto a recompensar aquela vigorosa fé, não porque Bartimeu merecesse ou fosse digno, mas porque o Filho do Homem tem profundo interesse nos problemas e dores de cada filho por quem a vida Ele entregaria na cruz.
Cristo sabia tudo que se passava na vida daquele homem, e mesmo que não soubesse, ao ver um cego diante de Si saberia sem dificuldades qual era o maior desejo daquele sofredor. Mesmo assim Jesus faz a pergunta “absurda”, a pergunta de resposta mais obvia que alguém poderia dar – Será mesmo?
“Que queres que eu te faça?” Essa foi a pergunta feita Jesus para Bartimeu. Mas Jesus não estava falando apenas de sua cegueira. O Mestre não estava querendo “chover no molhado” como alguns poderiam sugerir. A pergunta tem um grau de profundidade muito grande. Era uma pergunta desafiadora para aquele homem!
Bartimeu estava acostumado à um estilo de vida. Estava quem sabe preso à hábitos que a partir de agora não fariam mais sentido. Se ele usasse uma bengala, teria de deixa-la; se ele obtinha recursos por meio da mendigagem, agora teria que trabalhar; se possuía um guia, agora teria que andar sozinho.
As mudanças seriam muitas, e também consideravelmente drásticas. A essa altura, fica mais claro o significado da pergunta “o que queres que eu te faça?”. Está preparado para as mudanças que virão? Está pronto para seguir um rumo completamente diferente daquele que você está seguindo? Está preparado para sofrer em virtude das renúncias e provações?

A escolha de Bartimeu
Bartimeu não titubeou! Respondeu com convicção: “Mestre que eu torne a ver.” Tão profunda quanto a pergunta, foi a resposta. Aqui vemos um homem disposto a arcar com todas as consequências de sua escolha. Aquele cego estava convicto de que não podia mais continuar como estava, e era seu desejo pagar o preço da mudança de vida. Bartimeu queria deixar de sofrer, queria parar de chorar, e para isso estava pronto a mudar completamente seu estilo de vida, hábitos, amizades, alimentação, vestuário, e tudo quanto mais fosse necessário.
O verso 52 trás uma informação muito significativa e importante. Após ser curado por Jesus, após receber a tão esperada benção, o cego não saiu correndo alegre comemorando na direção oposta de Cristo. Ele louvou a Deus, ele glorificou o Pai pela sua transformação, mas isso foi feito na companhia de Jesus. O texto é claro ao dizer que ele imediatamente tornou a ver, e a partir daí passou a seguir a Jesus pelo caminho. Bartimeu se tornou um discípulo, um seguidor de Jesus.
Por afirmar que Bartimeu seguiu a Jesus "no caminho" (10.52), o segundo milagre nos conduz diretamente a Jerusalém e à própria cruz(Mulholland). Em outras palavras, ao aceitar o socorro proposto por Jesus, Bartimeu também estava aceitando seguir com Cristo rumo a cruz, rumo ao Calvário. Ele estava negando a si por amor a Jesus, estava abrindo mão de seus interesses para viver os interesses de Cristo.
A última narrativa de cura em Marcos (não o último milagre) destaca as atitudes e ações de Bartimeu, que serve de modelo e de encorajamento para todos: um homem que sabia o que queria, e sabia o que fazer com isso quando o conseguiu.

Conclusão
Jesus conhece todas as nossas necessidades, até aquelas mais especiais e profundas. Ainda que sejamos discriminados, humilhados ou abandonados, Ele sempre estará pronto a nos amparar, nos atender.
Para isso é preciso que clamemos, que tenhamos uma fé forte, firme. Essa fé não pode ser alicerçado em nossa necessidade, mas naquilo que Deus pode de fato fazer por nós, ou seja no poder transformador, curador, e salvador de Jesus.
Ao recebermos a resposta de Deus, temos que realmente estar dispostos a aceitarmos as mudanças que essa transformação nos pedirá. Precisamos estar prontos a seguir Jesus ao longo do caminho, custe o que custar.
Hoje qual é o seu pedido? Mas além disso, qual será sua resposta? Cristo está diante de você e de mim agora e nos pergunta: “O que queres que eu te faça?”

Fontes
Mulholland, Dewey M.; Marcos Introdução e Comentário
Rodor, Amin; O Incomparável Jesus Cristo
White, Ellen G.; O Desejado de Todas a Nações
https://nacoesunidas.org/acao/pessoas-com-deficiencia/

Pluralismo Religioso

Andei lendo, vendo, e pensando em algumas coisas. Fiquei tão impressionado e preocupado que resolvi escrever sobre o assunto, espero que d...