terça-feira, 2 de outubro de 2018

Agora ontem, agora hoje, agora amanhã


Sabe aqueles dias que você fica olhando o Facebook e vendo fotos de amigos antigos, gente lá dos tempos da infância e juventude. Pois é... daí, você vai vendo um, lembrando de outro, encontrando aquele que há anos não sabia por onde andava. Você vê que alguns estão com vida bem bacana, profissões estáveis, casados, família crescendo e tudo mais. É um exercício bem interessante. As lembranças são muito boas, é uma nostalgia gostosa coroada com algumas descobertas e surpresas bem legais.
Contudo, você se depara também com alguns casos tristes. Amigos que estão doentes, outros desempregados, depressivos, angustiados, desanimados com a vida, e até alguns que já faleceram. Então você se lembra das conversas, das visitas à casa de alguns, dos passeios juntos, das tretas e mais um monte de situações que talvez (e só talvez hein) estivessem dando indícios de que algumas coisas poderiam de fato dar errado na vida de alguns de nós. “Se tivesse estudado? Se tivesse casado? Se não tivesse casado com essa pessoa ou aquela pessoa? Se tivesse levado algumas coisas mais a sério? Se tivesse escolhido melhor as companhias? Se tivesse ouvido os pais?” São muitos “se”, e não quero que pensem que estou julgando hein, estou apenas refletindo, pensando em quantas situações nós vivemos que de alguma maneira vão refletir em nosso futuro.
Mas de todas as situações, a que mais me chamou a atenção foi “descobrir” que muitos desses amigos passaram por uma mudança espiritual considerável, pelo menos do ponto de vista daquilo que os olhos podem ver. Notei que alguns que tinham uma vida desregrada, sem muito compromisso com os valores morais, com a família etc, estavam diferentes agora. Vi fotos de alguns em igrejas, em cultos, vi pensamentos religiosos, e até textos bíblicos em suas time line. Então pensei: “como pode? Quem diria hein... fulano de tal agora é crente!” É amigo, Deus age em um instante!
Infelizmente também vi o oposto. Vi pessoas que antes cantavam, pregavam, defensores da moral e dos bons costumes (rs) estavam agora em uma oposição absolutamente antagônica. Divorciados, bêbados nas baladas, filhos “perdidos”, drogados e etc. Uma situação que naquele tempo era difícil de imaginar. Mas como eu disse no começo, quando começamos a fazer uma retrospectiva, dá pra perceber que tínhamos alguns sinais, algumas evidencias de que algo poderia dar errado. Naquela época não entendíamos ou não queríamos entender, mas agora a coisa se mostra suficientemente clara. Mais uma vez ficou claro que “pequenas” atitudes, comportamentos e decisões, podem ter significativo impacto na vida da gente.
Tudo isso me fez pensar em minha vida, na minha história, e aí me vi questionando minha própria trajetória, oportunidades que o tempo trouxe. Percebi que é fácil analisar a vida dos outros, mas o difícil mesmo é pensar, reconhecer nossos muitos erros e os poucos acertos. Refleti também sobre o “agora” e entendi que ele não dura para sempre, e que na real, esse “agora” presente, é o reflexo de um “agora” passado, e que de alguma forma impactará o “agora” do futuro, e por isso devo ser cauteloso quanto às minhas decisões de hoje. Entendi ainda que aprender com o passado também é importante e necessário, afinal de contas erros em meu passado certamente não faltam, e os erros ajudam... e como ajudam! 
Cheguei conclusão que agora é o tempo de mudar seja lá o que for. Agora é o tempo de voltar, agora é o tempo de continuar, agora é o tempo de repensar a vida e quem sabe fazer algumas coisas diferentes. O “agora” de ontem não existe mais, o “agora” de amanhã talvez nem aconteça. Então o “agora” de agora deve ser muito bem vivido, muito bem considerado. Acho que é mais ou menos isso que Paulo quis dizer com a expressão “tempo que se chama hoje” (Hb 3:13), ou o “tempo da oportunidade” (2Co 6:2). Não tem como fugir disso, o hoje, o agora, vai de alguma maneira influenciar nosso futuro. E se isso é verdade para as coisas do cotidiano, é também verdade para as coisas eternas.

Vamos juntos repensar o hoje?

Forte abraço!

Pr. Vanius Dias

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Direito e Moral


“Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas; mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas.” 1Corintios 6:12

Para que os indivíduos de uma sociedade coexistam de forma harmônica, é absolutamente necessário que sejam estabelecidas algumas regras. Uma sociedade sem regras obviamente está fadada à desordem, ao caos. Instituições como família, escola, empresas, igrejas e tantas outras necessitam estar sob algum tipo de regulamento que as protejam e também lhes estabeleçam limites de sua atuação, bem como mostrar suas responsabilidades.

Na sociedade moderna, isso é conseguido (ou pretende-se conseguir) por meio do direito. O direito pode ser entendido com um complexo de normas e regulamentos que têm como finalidade estabelecer aquilo que certo ou errado dentro de uma relação bilateral. Em outras palavras, o direito sempre envolvera duas partes – você busca seu direito porque acha que alguém te prejudicou.

Em outra mão temos a moral. O juízo moral nos leva pensar do ponto de vista interior. Ao contrário do direito, a moral não envolve outra pessoa ou instituição, ela tem relação direta sobre o individuo, e por isso é unilateral. Em outras palavras mesmo que eu tenha direito a algo, nem sempre será moral fazer uso daquele direito, pois do ponto de vista individual o sujeito pode estar agindo contra sua própria consciência, o que em algum momento poderá lhe causar culpa ou remorso.

Um exemplo simples é o troco que você recebe no supermercado. Do ponto de vista do direito, você não comete um crime se fica com o troco que lhe foi dado a mais, afinal não foi sua culpa, você não teve a intenção de pegar o dinheiro. Contudo do ponto de vista moral, você saberá que aquele dinheiro não te pertence e poderá fazer falta para pessoa que equivocadamente o entregou. E se algum tempo depois você souber que a pessoa que te atendeu foi demitida porque faltou dinheiro em seu caixa, talvez se sinta culpado por não ter devolvido o dinheiro que recebeu a mais.

Sendo assim, concluímos que o fato de eu ter um direito não quer dizer que eu não deva ser moralmente responsável em seu uso. É muito comum ouvirmos algumas pessoas dizerem: “a vida é minha, e faço o que eu quiser”. Sim, isso é um direito, mas fazer o que você quer às vezes pode ferir, machucar, humilhar aos outros. Nem tudo que é garantido por direito é moralmente correto, pois em algum momento minha consciência poderá me cobrar por aquilo. Pensemos em quantas vezes agimos baseados em nossos direitos, mas acabamos por prejudicar outras pessoas.

Paulo diz em 1Corintios 6:12 que “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me convêm...” O Apóstolo parece estar orientando os cristãos em Corinto a usarem o seu direito mas fazer também uma análise das implicações morais de seu uso. Temos o direito de fazer muitas coisas, mas não quer dizer que diante de Deus essas coisas sejam corretas ou adequadas. O mesmo Paulo diz em 2Corintios 5:10 que “é necessário que todos nós sejamos manifestos diante do tribunal de Cristo, para que cada um receba o que fez por meio do corpo, segundo o que praticou, o bem ou o mal.“ Nesse caso, não se trata apenas de cumprir ou não cumprir a regra, mas sim sobre a motivação para tal cumprimento.

Que Deus nos ajude a sermos cuidadosos no uso dos nossos direitos. Que possamos olhar para os nossos atos além do binômio “pode ou não pode”, mas também entendermos as implicações de nossas ações tanto em nossa vida, como na vida de outros.

Que Deus te dê uma abençoada semana!

Pr. Vanius Dias 

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

E amanhã?

“Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” Lucas 12:20

No final do mês passado foi criado aqui na Escola um projeto social chamado PASESPE – Programa de Acolhimento Social da Escola do Pensar, com o objetivo de promover ações de apoio à comunidades e pessoas carentes. Esse projeto foi idealizado pelo Prof. Rafael Ribeiro (coordenador do curso de enfermagem) e nós aqui do departamento de Capelania abraçamos a ideia! A primeira ação do PASESPE era realizar no dia 16/09 (ontem) um atendimento na área de saúde e higiene pessoal na comunidade Olaria nas mediações da Vila Andrade. Faríamos medição de pressão arterial, teste de glicemia, orientações de higiene bucal entre outras coisas. Mas como eu disse, “era”!

Era por volta de 9:10h da manhã quando começamos os primeiros atendimentos, tudo parecia normal, até que percebemos que havia fumaça no local. Passados pouco mais de 5 minutos veio a notícia de que havia um incêndio na comunidade, e teríamos que abortar todo o atendimento. A partir daí nosso foco era desmontar nossa estrutura, tirar nossa equipe de professores e alunos da enfermagem em segurança, e também ajudar os moradores a retirar seus pertences de dentro das casas que em sua maioria é de madeira.

Os bombeiros foram acionados e chegaram rapidamente, mas o fogo “agiu” igualmente rápido e em pouco tempo 15 a 20 casas estavam destruídas. Pessoas choravam desesperadas, crianças corriam em meio à fumaça em busca de seus pais e familiares. Muitas pessoas saíram de lá apenas com a roupa do corpo, os bens materiais foram todos destruídos. A cena era horrível, dor, tristeza e muitas lágrimas, inclusive as nossas, que caiam no chão como se quisessem ajudar a apagar as chamas cada vez mais intensas. 

Os alunos do curso de enfermagem fizeram um mutirão para comprar algumas centenas de garrafas de água para distribuir entre os moradores afetados. Montamos uma mini base de atendimento para dar os primeiros socorros àqueles que inalavam fumaça ou passavam mal em virtude a carga emocional que o episódio provocou. Por fim, saímos de lá por volta de 15h e o clima não era nada bom. Uma ponta de frustração tomou conta da gente, já que tínhamos planos de atender aquelas e pessoas, mas infelizmente não conseguimos.

E porque estou te contando isso? Pra você e eu pensarmos em pelos uma coisa:

Quais são seus planos para o dia de amanhã? Você tem certeza que vai realiza-los? O que você precisa fazer hoje? Porque você procrastina tanto? Nós tínhamos planejado muitas coisas pra aquele dia 16/09, mas de forma súbita tudo foi mudado, não tínhamos mais o controle dos eventos como pensávamos. Você acha mesmo que tem o controle do seu futuro ou dos eventos que virão? 

Ao refletir sobre esse episódio lembrei do que Jesus disse em Lucas 12:19 e 20 “E direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga. Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?”

Pense sobre sua vida, reflita sobre seu passado, presente e futuro. Analise que tipo de planos você tem feito para “amanhã”, e principalmente que lugar Deus ocupa em sua vida.

Que Deus te abençoe e proteja nessa desconhecida semana.

Abraços,

Pr. Vanius Dias

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Porque você se casou?



Em seu livro “Conhecer Jesus é tudo” o pastor Alejandro Bullón conta a história de uma senhora idosa, com mais de 60 anos de casamento. Essa senhora era uma esposa exemplar, uma dona de casa impecável, uma mãe que poderia servir de modelo para muitas jovens nos dias de hoje. Sua boa fama era reconhecida por todos aqueles que conviviam com ela, familiares, vizinhos, amigos, etc.


Contudo aquela mulher fez uma declaração ao pastor Bullón. Ela tinha um grande peso em seu coração, uma grande dor. Aquela senhorinha não era feliz em seu casamento. Sua infelicidade não era por conta de ser oprimida pelo marido. Seu problema era que, com mais de 60 anos de casa, ela não amava, nunca amou o marido.

Ela contou ao pastor que seu casamento fora acertado por seu pai, e que ela conheceu o marido poucos dias antes do casamento. Ela não pode conversar com ele antes, ela não pode conhece-lo melhor. Simplesmente seu disse: Filha, você vai se casar com o filho do meu compadre. Sendo assim como amar esse marido? Como ser feliz em um relacionamento que ela nunca desejou? Praticamente impossível, e assim fica mais fácil entender sua frustração.

A história dessa mulher é mesma de muitos de nós no que diz respeito à nossa vida religiosa. Muitas pessoas estão na igreja há 10, 15, 20, 50 anos, mas não são felizes. Não são felizes porque nunca puderam escolher a Cristo. Jesus lhes foi imposto, talvez pelos pais, ou quem sabe pela comunidade em que eles viviam. Cumprem as regras da igreja, observam os mandamentos, aceitam os regulamentos, fazem o que é politicamente correto, mas não amam a Cristo, porque nunca O aceitaram verdadeiramente.

Em muitos casos amamos a igreja, gostamos dos bancos da igreja, da sua estrutura, apreciamos as mensagens pregadas a cada culto, mas não amamos Jesus. É um relacionamento forçado, um convívio por conveniência, ou até por necessidade, mas não é uma escolha.

Penso que seria bom que todos nós, no dia de hoje, refletíssemos sobre quem é Jesus pra nós, como está nosso relacionamento com Deus. Que lugar Deus ocupa em minha vida? Porque frequento essa igreja? Porque faço parte desse grupo religioso? Não basta ir a uma igreja, não é suficiente ter anos de vida religiosa se não conhecemos o Jesus com quem nos casamos, se não amamos Aquele à quem declaramos verbalmente sermos fieis até o fim. É por isso que Jesus disse: “se me amardes, guardareis os meus mandamentos” (João 14:15). A obediência honesta e sincera só é possível se for precedida de amor verdadeiro.

Que Deus abençoe sua semana!

Pr. Vanius Dias


segunda-feira, 23 de julho de 2018

Sermão: O Senhor está vivo

Culto da Familia Iasd Unasp-SP 20/07/18

Então Elias, o tisbita, dos moradores de Gileade, disse a Acabe: Vive o SENHOR Deus de Israel, perante cuja face estou, que nestes anos nem orvalho nem chuva haverá, senão segundo a minha palavra. 1 Reis 17:1

Assista e compartilhe!

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Teoria X Prática

Pensando sobre o episódio Alemanha 0 x 2 Coreia:

E aquela história de que a Alemanha tinha um padrão de jogo construído ao longo do tempo? Aquele discurso que dizia que para resolver o problema do futebol brasileiro dentro de campo é necessário seguir o exemplo de seleções como a Alemanha que planejam o seu futebol?

Reconheço que o planejamento e a teoria têm seu valor. Entendo que sem organização e estudo é mais difícil executarmos algumas tarefas. Mas honestamente com a estrutura que existe hoje no futebol brasileiro, por mais zuada que possa parecer, o Brasil tem condições de apresentar um bom futebol, mas pra isso tem que "jogar o jogo".

A teoria pode até ajudar o futebol, mas o jogo se ganha jogando. No dia dos 7 x 1 o Brasil não jogou, e por isso deu no que deu. Agora foi a vez da Alemanha. Não jogou o jogo e aí... bom, você já sabe.

Acho que podemos aqui tirar uma lição importante para a vida: Não fique apenas planejando, pensando, filosofando, teorizando... faça isso, mas na hora de "jogar jogo" entre pra vencer, não faça corpo mole, não procrastine. Assim como no futebol onde "a bola pune", na vida as oportunidades perdidas também podem punir aqueles que pensam que por terem algumas estrelas no peito podem se dar ao luxo de serem displicentes. 

Brasil e Alemanha sabem bem o que isso!

Abraços.

Pr. Vanius H. Dias

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Filosofar é preciso

“Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo” Colossenses 2:8

Quando falamos em filosofia, algumas pessoas imaginam homens excêntricos, solitários, em silêncio, com um olhar perdido como quem olha para o nada. Errado! A verdadeira filosofia envolve debate, discussão, análise e questionamento. Dessa forma, toda vez que eu e você estamos discutindo nossas opiniões, nossas crenças, questionando o comportamento de outras pessoas, ou ainda debatendo sobre determinado assunto, estamos filosofando. Em resumo, se você tem a capacidade de raciocinar, duvidar, questionar, você está apto a ser um filósofo.

Contudo, para que essa filosofia seja autêntica, ela deve estar bem embasada, alicerçada em fundamentos coerentes e até certo ponto experimentáveis. Vivemos em um contexto em que notícias falsas surgem a todo o momento, algumas opiniões beiram o absurdo, então é necessário que tenhamos uma aguçada capacidade de avaliar e filtrar as informações que chegam até nós. É muito comum vermos pessoas defendendo posições ou opiniões sem nenhuma base lógica. Concordam e defendem opiniões que mal sabem explicar. Isso é uma pseudofilosofia.

No texto de hoje Paulo nos alerta para que não sigamos qualquer filosofia. O apóstolo fala de “sutilezas”, coisas que até podem parecer boas e adequadas, mas que na verdade não passam de “modinhas” fundamentadas em uma cultura contaminada pela secularização. Atualmente verdades estabelecidas por Deus têm sido questionadas sem qualquer fundamento racional ou lógico. A justificativa tem sido o desejo do ser humano de fazer as coisas à sua maneira, à margem daquilo que Deus estabeleceu.

Obviamente somos livres para acreditarmos e aceitarmos o que quisermos, mas precisamos tomar cuidado para não defendermos posições, preferências, ideologias, que não se sustentam quando passam por um criterioso exame lógico. Além disso, é importante não estarmos defendo algo ao qual Deus se opõe claramente, algo que Ele rejeita veementemente. Como diz Jeremias 17:9 “enganoso é o coração mais do que todas as coisas”. Por isso o mais seguro é, não seguir as filosofias que têm origem no coração humano, mas sim andar pelo que diz a palavra do SENHOR!

Ótima semana pra você e sua família!

Pr. Vanius H. Dias

Pluralismo Religioso

Andei lendo, vendo, e pensando em algumas coisas. Fiquei tão impressionado e preocupado que resolvi escrever sobre o assunto, espero que d...