terça-feira, 5 de março de 2019

Não Temas, Sou Eu


Jesus, porém, lhes falou logo, dizendo: Tende bom ânimo, sou eu, não temais. (Mateus 14:27)

INTRODUÇÃO
(Veja o Desejado de Todas as Nações, 261-264)
O referido texto é precedido da multiplicação dos pães e peixes. Jesus dera ali provas de seu poder, autoridade e identidade, mas tanto os discípulos como a audiência não entenderam plenamente o que estava acontecendo.
Queriam que Jesus fosse coroado naquele dia, pois assim a opressão do império romano bem como a humilhação de serem subordinados aos pagãos seriam lançados por terra. Pretendiam coroar a Cristo pois imaginavam que necessitavam de livramento terrestre. Não reconheciam ou não entendiam que na verdade precisavam de salvamento divino. Jesus viera para inaugurar o Reino Eterno, que não será jamais destruído.
Cristo era mais que libertador, um juiz ou um rei. Ele era o próprio Deus vindo resgate de seu povo. Deus estava entre os homens para dar a paz e tranquilidade que tiveram origem nos tempos eternos.
1. O MEDO NOS IMPEDE DE VER A REALIDADE
Por medo do império romano o povo não percebeu que o livramento oferecido por Deus era muito maior do que aquele que eles esperavam; o medo nos cega e nos faz agir imprudentemente. O medo nos faz correr atrás daquilo que é paliativo. Por mais que viesse um rei como Davi ou Salomão para resgatar e reinar sobre o povo de Israel, nenhum deles daria à nação o descanso eterno prometido por Deus. A realidade do cativeiro não estava no fato de Roma dominar naqueles dias, mas sim na condição pecaminosa que condena a humanidade à morte eterna.

2. O MEDO NOS FAZ LUTAR DESORDENADAMENTE (25)
Os discípulos entraram no barco rumo à Cafarnaum. Quando a tempestade chegou os discípulos ficaram tão assustados que começaram desprender esforços inúteis. Não conseguiam agir com lógica e organização, tudo que faziam gerava mais tumulto e mais confusão. O medo ofusca nossa mente de modo que não conseguimos agir de forma adequada, e muitas vezes nossos esforços não dão em nada. Por causa do nosso medo - medo do divórcio, da doença, do desemprego, da solidão, etc, nos vemos lutando freneticamente tentando por nossas próprias forças solucionarmos nossos problemas. O que não percebemos é que o medo nos torna confusos, desorientados, e a consequência óbvia é que a situação dificilmente será solucionada, pois fizemos tudo, menos clamar por auxílio divino.

3. O MEDO NOS FAZ DUVIDAR (28)
Pedro e também os demais discípulos tinham visto tudo que Jesus havia feito, mas no meio da crise duvidaram. Jesus veio ao encontro deles, confirmou sua identidade divina, mas os incrédulos crentes não creram. O medo faz a nossa fé minar e enche nosso coração de dúvidas. Embora possa parecer um clichê, ter fé quando tudo está dando certo não é tão difícil, complicado mesmo é permitir que o medo esmague nossa fé nas promessas feitas pelo SENHOR. 

4. O MEDO NOS IMPEDE DE VER GLÓRIA DE DEUS (33)
Ao termino do relato os discípulos são descritos adorando e reconhecendo a Jesus como o filho de Deus. Aqui temos um final de feliz, mas que nem sempre é a realidade. Muitos estão abandonando a Cristo por causa dos ventos e tempestades. Não estão conseguindo enxergar a ação e a presença de Deus e por isso estão perdendo a oportunidade de adorarem a Deus com maior propriedade. Quem vê o SENHOR agir nos dias de mares agitados, pode louva-lo com mais intensidade quando desembarcar na praia.

CONCLUSÃO
O Deus que glorificamos, louvamos, nos maravilhamos de suas muitas obras, é o mesmo que nos assiste nas horas de maior prova. Ele está conosco nas maiores tempestades da vida e aqueles que percebem isso certamente o louvarão com maior profundidade quando a tormenta passar.

Vale a pena ressaltar que o termo grego para "sou eu" é a tradução do da expressão "Ego Eimi". Esse termo aparece em João 8:58 quando Jesus afirma ser o Deus eterno que chamara Abraão. A mesma expressão aparece em João 18:6 quando Jesus afirma ser aquele a quem os soldados procuram. Nesse momento os relato bíblico diz que a escolta caiu por terra quando Jesus usou a expressão "Ego Eimi", logo é um indicativo explicito da divindade de Cristo, já que esse termo é a usado na versão grega do AT chamada Septuaginta (LXX) para se referir à expressão EU SOU, usada por Deus para se apesentar a Moisés.

Sendo assim, Jesus está dizendo para Pedro, para os outros discípulos e para nós que o próprio Deus vem em nosso socorro, o SENHOR não tira os olhos de nós um só instante, e por isso não precisamos ter medo das tempestades da vida.

É importante sempre lembrarmos que a fé não é construída apenas nos cultos ou celebrações dentro da igreja, mas também nos momentos de crise, onde a mão do SENHOR age de forma absolutamente visível para aqueles que confiam.

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Não sofra sem necessidade

“Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.” (1 Pedro 5:7)

Uma das mais belas histórias da Bíblia Sagrada é a de José, o famoso “José do Egito” (Gênesis 37-50). Filho de Jacó, José tinha mais onze irmãos e dez deles não eram muito simpáticos ao jovem sonhador. O relato bíblico nos diz que um dia os dez irmãos resolveram matar José, mas depois mudaram de ideia e venderam o garoto para uma caravana de comerciantes ismaelitas que ia para o Egito. Assim, José foi entregue pelos próprios irmãos para ser escravo no Egito, e além disso mentiram para Jacó, seu pai, dizendo que possivelmente uma fera tinha matado e devorado o filho que ele tanto amava.

Quando lemos todo relato parece que os irmãos de José eram absolutamente maus, e que aquele episódio era a demonstração de que eles eram pessoas sem coração, pessoas que a consciência parece não lhes acusar, homens que se sentiam inculpáveis. Mas só parece.

A história continua e José vai para o Egito como escravo, mas logo passa a ser administrador da casa de Potifar. Depois é preso por uma falsa acusação de estupro, e na cadeia interpreta do sonho do padeira e do copeiro que estavam presos juntamente com ele. Como predito por José, o padeiro é assassinado pelo rei, enquanto o copeiro é reconduzido ao seu cargo junto ao monarca. Depois disso o próprio Faraó tem um sonho e José interpreta, e essa interpretação lhe valeu uma promoção à governador do Egito, se tornando assim o homem mais importante daquela nação depois o rei.

Como previa José vieram sete anos de fome sobre toda a terra, não só sobre o Egito. A terra de Canaã onde seu pai e seus irmãos viviam também foi afetada. Isso fez com que os irmãos fossem ao Egito comprar alimento, já que lá era o único local onde se pode encontrar comida. Quando os seus irmãos chegam ao Egito, se encontram com José, mas não o reconhecem. José ao contrário, reconheceu seus irmãos e ficou muito emocionado. Contudo não se fez conhecer, mantendo sua identidade oculta.

José faz um plano, e acusa os irmãos de serem espiões, os acusa de serem pessoas que querem roubar o Egito, e para que eles provem que não são mal feitores, terão que deixar um irmão detido em terras egípcias enquanto buscam o irmão mais novo para ser apresentado ao governador.

Na volta para Canaã os irmãos vão se martirizando, e esse é o ponto que quero que você preste muita atenção. Em Gênesis 42:21 diz “Na verdade, somos culpados acerca de nosso irmão, pois vimos a angústia da sua alma, quando nos rogava; nós porém não ouvimos, por isso vem sobre nós esta ansiedade.” Eles estavam ansiosos, preocupados, angustiados, com medo. Tinham uma culpa enraizada em suas mentes, e agora parecia que aquela situação era um castigo, uma punição dada por Deus pelo fato de terem vendido José há quase vinte anos. Aquela ansiedade os estava castigando, aquele medo trazia a eles muitas incertezas quanto ao futuro e isso lhes feria a alma.

Estavam sofrendo por antecipação, estavam com medo do governador mata-los ou aprisionar para sempre seus irmãos. Mas eles tinham motivo para isso? Claro que não! Tudo estava sob controle, Deus havia conduzido toda aquela história, e agora estava providenciando para eles um reencontro inesquecível. Ao contrário do que eles pensavam, ali não era o fim, nem tampouco era algum tipo de castigo, Deus estava na verdade dando a eles a oportunidade de recomeçarem. O próprio José explica isso pra eles em Genesis 45:5 quando diz “Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos pese aos vossos olhos por me haverdes vendido para cá; porque para conservação da vida, Deus me enviou adiante de vós.”

Em nossa vida algumas vezes acontece o mesmo. Nos culpamos por erros passados, não nos perdoamos e por causa disso o futuro parece sombrio. Como os irmãos de José, ficamos amedrontados a tal ponto que não conseguimos reconhecer as grandes bênçãos que Deus tem à nos dar.

Do que você tem medo? Que culpas você carrega? Como você está vendo seu futuro?

Sugiro que hoje você olhe confiante para o futuro, não se deixe ser esmagado por seus erros do passado. Existe um Deus que perdoa pecados e pode reconstruir nossa vida e nos dar um futuro repleto de boas possibilidades. Não fique ansioso por aquilo que ainda não aconteceu. Se concentre nas palavras de Pedro. Ele disse: “Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.” (1 Pedro 5:7)

Deus está cuidando de tudo. Acredite!

Que Deus te dê uma ótima semana!

Pr. Vanius Dias

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Cuidado com a vaca voadora

“Quem abriu para a inundação um leito, e um caminho para os relâmpagos dos trovões... Quem prepara aos corvos o seu alimento, quando os seus filhotes gritam a Deus e andam vagueando, por não terem o que comer?” (Jó 38:25,41)

O renomado escritor e jornalista Humberto de Campos relata em seu livro de contos “A Serpente de Bronze”, a história de um fazendeiro que, sendo estudioso da filosofia e de latim gastava boa parte de seu tempo questionando o mundo e sua ordem. Na visão do fazendeiro o mundo não era nada justo ou organizado, a ponto de declarar: “Sim, senhor!” Esses filósofos têm razão! Este mundo é tão desigual, tão cheio de injustiças, de irregularidades clamorosas, que qualquer mortal, encarregado de fazê-lo, o teria feito melhor!” Uma clara crítica ao entendimento de que Deus havia criado mundo.

Campos diz ainda que, certo dia esse fazendeiro estava observando as andorinhas voando por cima do gado e ficou indignado ao ver que sendo o gado tão forte, poderoso e imponente não pudesse dar voos como aquela “insignificante” andorinha. Na visão do fazendeiro isso era uma injustiça. O fazendeiro declarou: “É isso mesmo, não há dúvidas! O mundo é muito mal arranjado...” 

O conto diz que nesse exato momento a andorinha em seu voo monumental passa por cima do fazendeiro e deixa cair bem sobre a cabeça calva daquele homem um pouco do seu excremento. O fazendeiro passou a mão e vendo do que se tratava (fezes) caiu de joelhos envergonhado e arrependido, e então disse: “Perdoai-me, Senhor, perdoai-me! O mundo está muito bem organizado! O que nele há, o que nele vive, o que nele existe foi feito com perfeição, com acerto, com sabedoria!” Depois de se levantar e se limpar ele disse: “Imagine se fosse um boi!”

Esse relato simples e cômico, nos mostra que muitas vezes questionamos sem pensar, questionamos sem avaliar todas as possibilidades. Quantas vezes o ser humano no profundo da sua arrogância e auto suficiência prefere declarar que Deus não existe do que avaliar o que realmente temos de evidência. Existem hoje muitos debates sobre assuntos controversos ou polêmicos, nos quais a falta de bom senso, a falta de empatia, a falta de humildade, impede uma análise mais racional dos fatos. 

Não acho que alguém deva acreditar em Deus somente porque o “Livro da Capa Preta” assim o relata. Ainda que não existisse uma página sequer da Bíblia, certamente teríamos muitas indagações a respeito de quem é criador, quem foi o idealizador, que foi o projetista de toda a “diversidade harmônica” que existe natureza. Em outras palavras, podemos até não concordar ou acreditar no que a Bíblia diz (o que é perigoso), mas não podemos negar que Deus tem se mostrado nós de muitas maneiras, basta prestarmos atenção, basta falarmos menos e ouvirmos (estudarmos) mais.

Acredito que Deus tem tudo sob seu controle e supervisão. Creio que Ele está providenciando tudo que precisamos para vivermos, e sermos felizes. Mas creio também que sem sensibilidade e humildade vamos continuar buscando respostas para questionamentos absurdamente simples. Existem coisas constrangedoramente simples que nos mostram o quanto Deus está presente em nosso cotidiano, e fechar os olhos para essas coisas é querer que bois e vacas apareçam voando por aí. 
Ótima semana pra você! 

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Agora ontem, agora hoje, agora amanhã


Sabe aqueles dias que você fica olhando o Facebook e vendo fotos de amigos antigos, gente lá dos tempos da infância e juventude. Pois é... daí, você vai vendo um, lembrando de outro, encontrando aquele que há anos não sabia por onde andava. Você vê que alguns estão com vida bem bacana, profissões estáveis, casados, família crescendo e tudo mais. É um exercício bem interessante. As lembranças são muito boas, é uma nostalgia gostosa coroada com algumas descobertas e surpresas bem legais.
Contudo, você se depara também com alguns casos tristes. Amigos que estão doentes, outros desempregados, depressivos, angustiados, desanimados com a vida, e até alguns que já faleceram. Então você se lembra das conversas, das visitas à casa de alguns, dos passeios juntos, das tretas e mais um monte de situações que talvez (e só talvez hein) estivessem dando indícios de que algumas coisas poderiam de fato dar errado na vida de alguns de nós. “Se tivesse estudado? Se tivesse casado? Se não tivesse casado com essa pessoa ou aquela pessoa? Se tivesse levado algumas coisas mais a sério? Se tivesse escolhido melhor as companhias? Se tivesse ouvido os pais?” São muitos “se”, e não quero que pensem que estou julgando hein, estou apenas refletindo, pensando em quantas situações nós vivemos que de alguma maneira vão refletir em nosso futuro.
Mas de todas as situações, a que mais me chamou a atenção foi “descobrir” que muitos desses amigos passaram por uma mudança espiritual considerável, pelo menos do ponto de vista daquilo que os olhos podem ver. Notei que alguns que tinham uma vida desregrada, sem muito compromisso com os valores morais, com a família etc, estavam diferentes agora. Vi fotos de alguns em igrejas, em cultos, vi pensamentos religiosos, e até textos bíblicos em suas time line. Então pensei: “como pode? Quem diria hein... fulano de tal agora é crente!” É amigo, Deus age em um instante!
Infelizmente também vi o oposto. Vi pessoas que antes cantavam, pregavam, defensores da moral e dos bons costumes (rs) estavam agora em uma oposição absolutamente antagônica. Divorciados, bêbados nas baladas, filhos “perdidos”, drogados e etc. Uma situação que naquele tempo era difícil de imaginar. Mas como eu disse no começo, quando começamos a fazer uma retrospectiva, dá pra perceber que tínhamos alguns sinais, algumas evidencias de que algo poderia dar errado. Naquela época não entendíamos ou não queríamos entender, mas agora a coisa se mostra suficientemente clara. Mais uma vez ficou claro que “pequenas” atitudes, comportamentos e decisões, podem ter significativo impacto na vida da gente.
Tudo isso me fez pensar em minha vida, na minha história, e aí me vi questionando minha própria trajetória, oportunidades que o tempo trouxe. Percebi que é fácil analisar a vida dos outros, mas o difícil mesmo é pensar, reconhecer nossos muitos erros e os poucos acertos. Refleti também sobre o “agora” e entendi que ele não dura para sempre, e que na real, esse “agora” presente, é o reflexo de um “agora” passado, e que de alguma forma impactará o “agora” do futuro, e por isso devo ser cauteloso quanto às minhas decisões de hoje. Entendi ainda que aprender com o passado também é importante e necessário, afinal de contas erros em meu passado certamente não faltam, e os erros ajudam... e como ajudam! 
Cheguei conclusão que agora é o tempo de mudar seja lá o que for. Agora é o tempo de voltar, agora é o tempo de continuar, agora é o tempo de repensar a vida e quem sabe fazer algumas coisas diferentes. O “agora” de ontem não existe mais, o “agora” de amanhã talvez nem aconteça. Então o “agora” de agora deve ser muito bem vivido, muito bem considerado. Acho que é mais ou menos isso que Paulo quis dizer com a expressão “tempo que se chama hoje” (Hb 3:13), ou o “tempo da oportunidade” (2Co 6:2). Não tem como fugir disso, o hoje, o agora, vai de alguma maneira influenciar nosso futuro. E se isso é verdade para as coisas do cotidiano, é também verdade para as coisas eternas.

Vamos juntos repensar o hoje?

Forte abraço!

Pr. Vanius Dias

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Direito e Moral


“Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas; mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas.” 1Corintios 6:12

Para que os indivíduos de uma sociedade coexistam de forma harmônica, é absolutamente necessário que sejam estabelecidas algumas regras. Uma sociedade sem regras obviamente está fadada à desordem, ao caos. Instituições como família, escola, empresas, igrejas e tantas outras necessitam estar sob algum tipo de regulamento que as protejam e também lhes estabeleçam limites de sua atuação, bem como mostrar suas responsabilidades.

Na sociedade moderna, isso é conseguido (ou pretende-se conseguir) por meio do direito. O direito pode ser entendido com um complexo de normas e regulamentos que têm como finalidade estabelecer aquilo que certo ou errado dentro de uma relação bilateral. Em outras palavras, o direito sempre envolvera duas partes – você busca seu direito porque acha que alguém te prejudicou.

Em outra mão temos a moral. O juízo moral nos leva pensar do ponto de vista interior. Ao contrário do direito, a moral não envolve outra pessoa ou instituição, ela tem relação direta sobre o individuo, e por isso é unilateral. Em outras palavras mesmo que eu tenha direito a algo, nem sempre será moral fazer uso daquele direito, pois do ponto de vista individual o sujeito pode estar agindo contra sua própria consciência, o que em algum momento poderá lhe causar culpa ou remorso.

Um exemplo simples é o troco que você recebe no supermercado. Do ponto de vista do direito, você não comete um crime se fica com o troco que lhe foi dado a mais, afinal não foi sua culpa, você não teve a intenção de pegar o dinheiro. Contudo do ponto de vista moral, você saberá que aquele dinheiro não te pertence e poderá fazer falta para pessoa que equivocadamente o entregou. E se algum tempo depois você souber que a pessoa que te atendeu foi demitida porque faltou dinheiro em seu caixa, talvez se sinta culpado por não ter devolvido o dinheiro que recebeu a mais.

Sendo assim, concluímos que o fato de eu ter um direito não quer dizer que eu não deva ser moralmente responsável em seu uso. É muito comum ouvirmos algumas pessoas dizerem: “a vida é minha, e faço o que eu quiser”. Sim, isso é um direito, mas fazer o que você quer às vezes pode ferir, machucar, humilhar aos outros. Nem tudo que é garantido por direito é moralmente correto, pois em algum momento minha consciência poderá me cobrar por aquilo. Pensemos em quantas vezes agimos baseados em nossos direitos, mas acabamos por prejudicar outras pessoas.

Paulo diz em 1Corintios 6:12 que “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me convêm...” O Apóstolo parece estar orientando os cristãos em Corinto a usarem o seu direito mas fazer também uma análise das implicações morais de seu uso. Temos o direito de fazer muitas coisas, mas não quer dizer que diante de Deus essas coisas sejam corretas ou adequadas. O mesmo Paulo diz em 2Corintios 5:10 que “é necessário que todos nós sejamos manifestos diante do tribunal de Cristo, para que cada um receba o que fez por meio do corpo, segundo o que praticou, o bem ou o mal.“ Nesse caso, não se trata apenas de cumprir ou não cumprir a regra, mas sim sobre a motivação para tal cumprimento.

Que Deus nos ajude a sermos cuidadosos no uso dos nossos direitos. Que possamos olhar para os nossos atos além do binômio “pode ou não pode”, mas também entendermos as implicações de nossas ações tanto em nossa vida, como na vida de outros.

Que Deus te dê uma abençoada semana!

Pr. Vanius Dias 

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

E amanhã?

“Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” Lucas 12:20

No final do mês passado foi criado aqui na Escola um projeto social chamado PASESPE – Programa de Acolhimento Social da Escola do Pensar, com o objetivo de promover ações de apoio à comunidades e pessoas carentes. Esse projeto foi idealizado pelo Prof. Rafael Ribeiro (coordenador do curso de enfermagem) e nós aqui do departamento de Capelania abraçamos a ideia! A primeira ação do PASESPE era realizar no dia 16/09 (ontem) um atendimento na área de saúde e higiene pessoal na comunidade Olaria nas mediações da Vila Andrade. Faríamos medição de pressão arterial, teste de glicemia, orientações de higiene bucal entre outras coisas. Mas como eu disse, “era”!

Era por volta de 9:10h da manhã quando começamos os primeiros atendimentos, tudo parecia normal, até que percebemos que havia fumaça no local. Passados pouco mais de 5 minutos veio a notícia de que havia um incêndio na comunidade, e teríamos que abortar todo o atendimento. A partir daí nosso foco era desmontar nossa estrutura, tirar nossa equipe de professores e alunos da enfermagem em segurança, e também ajudar os moradores a retirar seus pertences de dentro das casas que em sua maioria é de madeira.

Os bombeiros foram acionados e chegaram rapidamente, mas o fogo “agiu” igualmente rápido e em pouco tempo 15 a 20 casas estavam destruídas. Pessoas choravam desesperadas, crianças corriam em meio à fumaça em busca de seus pais e familiares. Muitas pessoas saíram de lá apenas com a roupa do corpo, os bens materiais foram todos destruídos. A cena era horrível, dor, tristeza e muitas lágrimas, inclusive as nossas, que caiam no chão como se quisessem ajudar a apagar as chamas cada vez mais intensas. 

Os alunos do curso de enfermagem fizeram um mutirão para comprar algumas centenas de garrafas de água para distribuir entre os moradores afetados. Montamos uma mini base de atendimento para dar os primeiros socorros àqueles que inalavam fumaça ou passavam mal em virtude a carga emocional que o episódio provocou. Por fim, saímos de lá por volta de 15h e o clima não era nada bom. Uma ponta de frustração tomou conta da gente, já que tínhamos planos de atender aquelas e pessoas, mas infelizmente não conseguimos.

E porque estou te contando isso? Pra você e eu pensarmos em pelos uma coisa:

Quais são seus planos para o dia de amanhã? Você tem certeza que vai realiza-los? O que você precisa fazer hoje? Porque você procrastina tanto? Nós tínhamos planejado muitas coisas pra aquele dia 16/09, mas de forma súbita tudo foi mudado, não tínhamos mais o controle dos eventos como pensávamos. Você acha mesmo que tem o controle do seu futuro ou dos eventos que virão? 

Ao refletir sobre esse episódio lembrei do que Jesus disse em Lucas 12:19 e 20 “E direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga. Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?”

Pense sobre sua vida, reflita sobre seu passado, presente e futuro. Analise que tipo de planos você tem feito para “amanhã”, e principalmente que lugar Deus ocupa em sua vida.

Que Deus te abençoe e proteja nessa desconhecida semana.

Abraços,

Pr. Vanius Dias

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Porque você se casou?



Em seu livro “Conhecer Jesus é tudo” o pastor Alejandro Bullón conta a história de uma senhora idosa, com mais de 60 anos de casamento. Essa senhora era uma esposa exemplar, uma dona de casa impecável, uma mãe que poderia servir de modelo para muitas jovens nos dias de hoje. Sua boa fama era reconhecida por todos aqueles que conviviam com ela, familiares, vizinhos, amigos, etc.


Contudo aquela mulher fez uma declaração ao pastor Bullón. Ela tinha um grande peso em seu coração, uma grande dor. Aquela senhorinha não era feliz em seu casamento. Sua infelicidade não era por conta de ser oprimida pelo marido. Seu problema era que, com mais de 60 anos de casa, ela não amava, nunca amou o marido.

Ela contou ao pastor que seu casamento fora acertado por seu pai, e que ela conheceu o marido poucos dias antes do casamento. Ela não pode conversar com ele antes, ela não pode conhece-lo melhor. Simplesmente seu disse: Filha, você vai se casar com o filho do meu compadre. Sendo assim como amar esse marido? Como ser feliz em um relacionamento que ela nunca desejou? Praticamente impossível, e assim fica mais fácil entender sua frustração.

A história dessa mulher é mesma de muitos de nós no que diz respeito à nossa vida religiosa. Muitas pessoas estão na igreja há 10, 15, 20, 50 anos, mas não são felizes. Não são felizes porque nunca puderam escolher a Cristo. Jesus lhes foi imposto, talvez pelos pais, ou quem sabe pela comunidade em que eles viviam. Cumprem as regras da igreja, observam os mandamentos, aceitam os regulamentos, fazem o que é politicamente correto, mas não amam a Cristo, porque nunca O aceitaram verdadeiramente.

Em muitos casos amamos a igreja, gostamos dos bancos da igreja, da sua estrutura, apreciamos as mensagens pregadas a cada culto, mas não amamos Jesus. É um relacionamento forçado, um convívio por conveniência, ou até por necessidade, mas não é uma escolha.

Penso que seria bom que todos nós, no dia de hoje, refletíssemos sobre quem é Jesus pra nós, como está nosso relacionamento com Deus. Que lugar Deus ocupa em minha vida? Porque frequento essa igreja? Porque faço parte desse grupo religioso? Não basta ir a uma igreja, não é suficiente ter anos de vida religiosa se não conhecemos o Jesus com quem nos casamos, se não amamos Aquele à quem declaramos verbalmente sermos fieis até o fim. É por isso que Jesus disse: “se me amardes, guardareis os meus mandamentos” (João 14:15). A obediência honesta e sincera só é possível se for precedida de amor verdadeiro.

Que Deus abençoe sua semana!

Pr. Vanius Dias


Pluralismo Religioso

Andei lendo, vendo, e pensando em algumas coisas. Fiquei tão impressionado e preocupado que resolvi escrever sobre o assunto, espero que d...