domingo, 31 de março de 2019

O Peixe Morre Pela Boca - 1 Samuel 10:17-26

Existe um ditado conhecido que diz “o peixe morre pela boca”. Acredito que a maior parte das pessoas sabe o que isso significa. Geralmente usamos este ditado para nos referirmos à pessoas que poderiam ter ficado quietas, de boca fechada em determinada situação mas preferiram dar voz a seus pensamentos e aí a coisa piorou. De fato, têm momentos que o melhor é realmente ficarmos calados para não piorarmos a situação, mas o problema é que na maior parte das ocasiões acabamos falando o que não devíamos, reagimos de forma quase irracional e assim criamos ou aumentamos um problema.

A Bíblia conta uma história interessante envolvendo o rei Saul. Geralmente as histórias que escutamos sobre este rei não são as melhores, mas hoje quero falar sobre um aspecto positivo do que está relatado em 1 Samuel 10:17-26. Saul foi escolhido rei de Israel, e a escolha foi do próprio Deus, o que nos mostra que o jovem tinha algumas qualidades, ele tinha virtudes, embora saibamos que em algum momento de sua vida ele se afastou de Deus. Mas Saul começou bem seu trabalho como rei, pelo menos aparentemente. O jovem rei não era perfeito, mas tinha tudo para se dar bem se tivesse sido tão prudente no seu reinado como foi no episódio narrado no texto acima.

O texto diz que depois que Saul foi declarado rei pelo SENHOR por intermédio do profeta Samuel, e imediatamente aclamado por uma parcela de seus irmãos hebreus, houve também quem não concordasse com nomeação do primeiro rei de Israel. Lemos em 10:24 que o povo ficou eufórico e gritava “viva o rei”, que era uma demonstração de que estavam felizes e satisfeitos com a escolha. O texto ainda nos dá entender que o povo trouxe presentes ao rei. A nação estava feliz, mas nem todos!

No verso 27 encontramos a informação de que os filhos de Belial não estava tão felizes assim. A expressão "filhos de Belial" é uma referência à homens, pessoas desprezíveis. Alguns intérpretes são categóricos em afirmar que Belial é uma variação do nome Belzebu, que é um dos nomes para fazer referência ao diabo. Seja como for, ser filho de Belial não era coisa coisa boa. 

Os tais homens não acreditavam na capacidade de Saul, eles não estavam dispostos a aceitar a autoridade divina dada ao rei. Isso fica muito claro quando lemos que os filhos de Belial “o desprezaram (a Saul) e não lhe trouxeram presentes” (v.27b). O cenário é fácil de ser entendido: homens maus dispostos a criar problema para o rei. Era de se esperar então que Saul reagisse, e tendo em conta que agora ele era o rei, poderia levar aquela situação às últimas consequências, e se ele fizesse isso ninguém poderia dizer que ele estava errado.

Mas ai vem a surpresa, pelo menos pra mim. O texto diz que Saul não disse nada, não reagiu, não questionou. Mostrou um controle emocional invejável, auto controle constrangedor. O final do verso 27 diz espantosamente que “Saul se fez de surdo”. Veja ele ouviu o que foi dito, ele percebeu a oposição, o deboche, a rejeição, e mesmo assim não disse nada. Honestamente, nem parece o mesmo Saul que desobedece a Deus (1Sm 15), que tenta matar Davi (1Sm 18:17-19), que consulta a médium (1Sm 28). 

O que aprendemos com esse relato é que ficar calado pode evitar muitos problemas. Mesmo que tenhamos razão, mesmo que tenhamos motivos para discutir, o melhor é calar, e deixar que o nosso silêncio cale a voz dos filhos de Belial. E a propósito, o diabo pode enviar pessoas para nos irritarem, para nos desestabilizarem, mas se seguirmos o exemplo de Saul e obviamente o de Cristo, o inimigo se verá obrigado a “tirar seu time de campo” (Tiago 4:7). 

Naquele dia Saul foi brilhante, fez jus ao ditado que diz “que em boca fechada não entra mosquito”. E você está disposto a se fazer de surdo para evitar mais problemas do que aqueles que você já tem?
 
Que Deus te dê uma excelente semana! 

1° de Abril - O Dia da Verdade



Você confia nas pessoas? Talvez a maior parte de nós diga que não, e se pensarmos no contexto em que vivemos, realmente está difícil confiar nas autoridades, nos políticos, nos médicos, nos pastores, professores, etc. A cada dia que passa a quantidade escândalos e descobertas nos surpreendem, e pior ainda quando vem de pessoas ou instituições nas quais “confiamos”.

Mas e se nós formos o objeto da pergunta? Isso mesmo, eu e você. Se alguém te perguntar “você é de confiança?” Ou ainda alguém nos perguntasse, “você está mesmo falando a verdade?” Talvez agora fique um pouco mais difícil responder essa pergunta, não é mesmo? 

Bom, seja qual for a sua resposta uma coisa é certa, a questão não é tão simples como parece. O mundo está repleto de pessoas que mentem, que contam meias verdades, que parecem ser o que não são. Como diz o Dr. House, o médico mal humorado da série disponível na Netflix, "todo mundo mente", infelizmente ele está certo.

Pensando sobre isso, me lembrei que Jesus viveu uma experiência muito interessante com seus discípulos. Certo dia, segundo relata Marcos 11:12-14, Cristo caminhava juntamente com seus discípulos e teve fome. Ele avistou uma bela figueira que aparentava ter muitos frutos, contudo quando se aproximou dela para retirar sua pretendida refeição teve a desagradável surpresa de descobrir que aquela era uma “propaganda enganosa”. A figueira parecia ter frutos, mas na verdade não havia nada ali.

O Mestre então pronuncia uma terrível maldição contra a figueira. Ele disse “Nunca jamais coma alguém fruto de ti”. Naquele momento ele condenou a “figueira mentirosa” à morte. No texto paralelo de Mateus 21:19 lemos que a árvore secou imediatamente. Aquela figueira nunca mais daria frutos, e sendo assim não havia porque continuar a existir.

Aprendemos algumas coisas com essa história: 1) dificilmente conseguimos enganar a todos o tempo todo; 2) mesmo que parece bonito, uma mentira sempre será mentira; 3) o mentiroso, o falso, não resiste ao teste da verdade; 4) a mentira, o engano, a falsidade vai tirar muita gente da vida eterna (Ap 21:8).

Dia 1º de Abril o mundo comemora (co=junto + memora=recorda) o dia da mentira. Muitas postagens, mensagens, piadas farão menção à essa data de forma descontraída e engraçada. Mas na verdade deveria ser um dia de reflexão para nós, um dia para analisarmos quem realmente somos, e principalmente o que Deus vai encontrar em nós quando nos aproximarmos dele.

Jesus foi categórico em Mateus 5:37 ao afirmar que nossa palavra de ser “sim” ou “não”. Não existe meio termo, não existe meia verdade. Cristo afirmou que o que passar de “sim” ou “não” procede do maligno. Resumindo, ele está dizendo que quando faltamos com a verdade estamos agindo segundo a instrução e orientação do diabo. Não importa o tamanho da mentira, ela sempre será mentira, e satanás é pai da mentira (João 8:44).

E você é de confiança? Posso confiar em você?

terça-feira, 5 de março de 2019

Não Temas, Sou Eu


Jesus, porém, lhes falou logo, dizendo: Tende bom ânimo, sou eu, não temais. (Mateus 14:27)

INTRODUÇÃO
(Veja o Desejado de Todas as Nações, 261-264)
O referido texto é precedido da multiplicação dos pães e peixes. Jesus dera ali provas de seu poder, autoridade e identidade, mas tanto os discípulos como a audiência não entenderam plenamente o que estava acontecendo.
Queriam que Jesus fosse coroado naquele dia, pois assim a opressão do império romano bem como a humilhação de serem subordinados aos pagãos seriam lançados por terra. Pretendiam coroar a Cristo pois imaginavam que necessitavam de livramento terrestre. Não reconheciam ou não entendiam que na verdade precisavam de salvamento divino. Jesus viera para inaugurar o Reino Eterno, que não será jamais destruído.
Cristo era mais que libertador, um juiz ou um rei. Ele era o próprio Deus vindo resgate de seu povo. Deus estava entre os homens para dar a paz e tranquilidade que tiveram origem nos tempos eternos.
1. O MEDO NOS IMPEDE DE VER A REALIDADE
Por medo do império romano o povo não percebeu que o livramento oferecido por Deus era muito maior do que aquele que eles esperavam; o medo nos cega e nos faz agir imprudentemente. O medo nos faz correr atrás daquilo que é paliativo. Por mais que viesse um rei como Davi ou Salomão para resgatar e reinar sobre o povo de Israel, nenhum deles daria à nação o descanso eterno prometido por Deus. A realidade do cativeiro não estava no fato de Roma dominar naqueles dias, mas sim na condição pecaminosa que condena a humanidade à morte eterna.

2. O MEDO NOS FAZ LUTAR DESORDENADAMENTE (25)
Os discípulos entraram no barco rumo à Cafarnaum. Quando a tempestade chegou os discípulos ficaram tão assustados que começaram desprender esforços inúteis. Não conseguiam agir com lógica e organização, tudo que faziam gerava mais tumulto e mais confusão. O medo ofusca nossa mente de modo que não conseguimos agir de forma adequada, e muitas vezes nossos esforços não dão em nada. Por causa do nosso medo - medo do divórcio, da doença, do desemprego, da solidão, etc, nos vemos lutando freneticamente tentando por nossas próprias forças solucionarmos nossos problemas. O que não percebemos é que o medo nos torna confusos, desorientados, e a consequência óbvia é que a situação dificilmente será solucionada, pois fizemos tudo, menos clamar por auxílio divino.

3. O MEDO NOS FAZ DUVIDAR (28)
Pedro e também os demais discípulos tinham visto tudo que Jesus havia feito, mas no meio da crise duvidaram. Jesus veio ao encontro deles, confirmou sua identidade divina, mas os incrédulos crentes não creram. O medo faz a nossa fé minar e enche nosso coração de dúvidas. Embora possa parecer um clichê, ter fé quando tudo está dando certo não é tão difícil, complicado mesmo é permitir que o medo esmague nossa fé nas promessas feitas pelo SENHOR. 

4. O MEDO NOS IMPEDE DE VER GLÓRIA DE DEUS (33)
Ao termino do relato os discípulos são descritos adorando e reconhecendo a Jesus como o filho de Deus. Aqui temos um final de feliz, mas que nem sempre é a realidade. Muitos estão abandonando a Cristo por causa dos ventos e tempestades. Não estão conseguindo enxergar a ação e a presença de Deus e por isso estão perdendo a oportunidade de adorarem a Deus com maior propriedade. Quem vê o SENHOR agir nos dias de mares agitados, pode louva-lo com mais intensidade quando desembarcar na praia.

CONCLUSÃO
O Deus que glorificamos, louvamos, nos maravilhamos de suas muitas obras, é o mesmo que nos assiste nas horas de maior prova. Ele está conosco nas maiores tempestades da vida e aqueles que percebem isso certamente o louvarão com maior profundidade quando a tormenta passar.

Vale a pena ressaltar que o termo grego para "sou eu" é a tradução do da expressão "Ego Eimi". Esse termo aparece em João 8:58 quando Jesus afirma ser o Deus eterno que chamara Abraão. A mesma expressão aparece em João 18:6 quando Jesus afirma ser aquele a quem os soldados procuram. Nesse momento os relato bíblico diz que a escolta caiu por terra quando Jesus usou a expressão "Ego Eimi", logo é um indicativo explicito da divindade de Cristo, já que esse termo é a usado na versão grega do AT chamada Septuaginta (LXX) para se referir à expressão EU SOU, usada por Deus para se apesentar a Moisés.

Sendo assim, Jesus está dizendo para Pedro, para os outros discípulos e para nós que o próprio Deus vem em nosso socorro, o SENHOR não tira os olhos de nós um só instante, e por isso não precisamos ter medo das tempestades da vida.

É importante sempre lembrarmos que a fé não é construída apenas nos cultos ou celebrações dentro da igreja, mas também nos momentos de crise, onde a mão do SENHOR age de forma absolutamente visível para aqueles que confiam.

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Não sofra sem necessidade

“Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.” (1 Pedro 5:7)

Uma das mais belas histórias da Bíblia Sagrada é a de José, o famoso “José do Egito” (Gênesis 37-50). Filho de Jacó, José tinha mais onze irmãos e dez deles não eram muito simpáticos ao jovem sonhador. O relato bíblico nos diz que um dia os dez irmãos resolveram matar José, mas depois mudaram de ideia e venderam o garoto para uma caravana de comerciantes ismaelitas que ia para o Egito. Assim, José foi entregue pelos próprios irmãos para ser escravo no Egito, e além disso mentiram para Jacó, seu pai, dizendo que possivelmente uma fera tinha matado e devorado o filho que ele tanto amava.

Quando lemos todo relato parece que os irmãos de José eram absolutamente maus, e que aquele episódio era a demonstração de que eles eram pessoas sem coração, pessoas que a consciência parece não lhes acusar, homens que se sentiam inculpáveis. Mas só parece.

A história continua e José vai para o Egito como escravo, mas logo passa a ser administrador da casa de Potifar. Depois é preso por uma falsa acusação de estupro, e na cadeia interpreta do sonho do padeira e do copeiro que estavam presos juntamente com ele. Como predito por José, o padeiro é assassinado pelo rei, enquanto o copeiro é reconduzido ao seu cargo junto ao monarca. Depois disso o próprio Faraó tem um sonho e José interpreta, e essa interpretação lhe valeu uma promoção à governador do Egito, se tornando assim o homem mais importante daquela nação depois o rei.

Como previa José vieram sete anos de fome sobre toda a terra, não só sobre o Egito. A terra de Canaã onde seu pai e seus irmãos viviam também foi afetada. Isso fez com que os irmãos fossem ao Egito comprar alimento, já que lá era o único local onde se pode encontrar comida. Quando os seus irmãos chegam ao Egito, se encontram com José, mas não o reconhecem. José ao contrário, reconheceu seus irmãos e ficou muito emocionado. Contudo não se fez conhecer, mantendo sua identidade oculta.

José faz um plano, e acusa os irmãos de serem espiões, os acusa de serem pessoas que querem roubar o Egito, e para que eles provem que não são mal feitores, terão que deixar um irmão detido em terras egípcias enquanto buscam o irmão mais novo para ser apresentado ao governador.

Na volta para Canaã os irmãos vão se martirizando, e esse é o ponto que quero que você preste muita atenção. Em Gênesis 42:21 diz “Na verdade, somos culpados acerca de nosso irmão, pois vimos a angústia da sua alma, quando nos rogava; nós porém não ouvimos, por isso vem sobre nós esta ansiedade.” Eles estavam ansiosos, preocupados, angustiados, com medo. Tinham uma culpa enraizada em suas mentes, e agora parecia que aquela situação era um castigo, uma punição dada por Deus pelo fato de terem vendido José há quase vinte anos. Aquela ansiedade os estava castigando, aquele medo trazia a eles muitas incertezas quanto ao futuro e isso lhes feria a alma.

Estavam sofrendo por antecipação, estavam com medo do governador mata-los ou aprisionar para sempre seus irmãos. Mas eles tinham motivo para isso? Claro que não! Tudo estava sob controle, Deus havia conduzido toda aquela história, e agora estava providenciando para eles um reencontro inesquecível. Ao contrário do que eles pensavam, ali não era o fim, nem tampouco era algum tipo de castigo, Deus estava na verdade dando a eles a oportunidade de recomeçarem. O próprio José explica isso pra eles em Genesis 45:5 quando diz “Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos pese aos vossos olhos por me haverdes vendido para cá; porque para conservação da vida, Deus me enviou adiante de vós.”

Em nossa vida algumas vezes acontece o mesmo. Nos culpamos por erros passados, não nos perdoamos e por causa disso o futuro parece sombrio. Como os irmãos de José, ficamos amedrontados a tal ponto que não conseguimos reconhecer as grandes bênçãos que Deus tem à nos dar.

Do que você tem medo? Que culpas você carrega? Como você está vendo seu futuro?

Sugiro que hoje você olhe confiante para o futuro, não se deixe ser esmagado por seus erros do passado. Existe um Deus que perdoa pecados e pode reconstruir nossa vida e nos dar um futuro repleto de boas possibilidades. Não fique ansioso por aquilo que ainda não aconteceu. Se concentre nas palavras de Pedro. Ele disse: “Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.” (1 Pedro 5:7)

Deus está cuidando de tudo. Acredite!

Que Deus te dê uma ótima semana!

Pr. Vanius Dias

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Cuidado com a vaca voadora

“Quem abriu para a inundação um leito, e um caminho para os relâmpagos dos trovões... Quem prepara aos corvos o seu alimento, quando os seus filhotes gritam a Deus e andam vagueando, por não terem o que comer?” (Jó 38:25,41)

O renomado escritor e jornalista Humberto de Campos relata em seu livro de contos “A Serpente de Bronze”, a história de um fazendeiro que, sendo estudioso da filosofia e de latim gastava boa parte de seu tempo questionando o mundo e sua ordem. Na visão do fazendeiro o mundo não era nada justo ou organizado, a ponto de declarar: “Sim, senhor!” Esses filósofos têm razão! Este mundo é tão desigual, tão cheio de injustiças, de irregularidades clamorosas, que qualquer mortal, encarregado de fazê-lo, o teria feito melhor!” Uma clara crítica ao entendimento de que Deus havia criado mundo.

Campos diz ainda que, certo dia esse fazendeiro estava observando as andorinhas voando por cima do gado e ficou indignado ao ver que sendo o gado tão forte, poderoso e imponente não pudesse dar voos como aquela “insignificante” andorinha. Na visão do fazendeiro isso era uma injustiça. O fazendeiro declarou: “É isso mesmo, não há dúvidas! O mundo é muito mal arranjado...” 

O conto diz que nesse exato momento a andorinha em seu voo monumental passa por cima do fazendeiro e deixa cair bem sobre a cabeça calva daquele homem um pouco do seu excremento. O fazendeiro passou a mão e vendo do que se tratava (fezes) caiu de joelhos envergonhado e arrependido, e então disse: “Perdoai-me, Senhor, perdoai-me! O mundo está muito bem organizado! O que nele há, o que nele vive, o que nele existe foi feito com perfeição, com acerto, com sabedoria!” Depois de se levantar e se limpar ele disse: “Imagine se fosse um boi!”

Esse relato simples e cômico, nos mostra que muitas vezes questionamos sem pensar, questionamos sem avaliar todas as possibilidades. Quantas vezes o ser humano no profundo da sua arrogância e auto suficiência prefere declarar que Deus não existe do que avaliar o que realmente temos de evidência. Existem hoje muitos debates sobre assuntos controversos ou polêmicos, nos quais a falta de bom senso, a falta de empatia, a falta de humildade, impede uma análise mais racional dos fatos. 

Não acho que alguém deva acreditar em Deus somente porque o “Livro da Capa Preta” assim o relata. Ainda que não existisse uma página sequer da Bíblia, certamente teríamos muitas indagações a respeito de quem é criador, quem foi o idealizador, que foi o projetista de toda a “diversidade harmônica” que existe natureza. Em outras palavras, podemos até não concordar ou acreditar no que a Bíblia diz (o que é perigoso), mas não podemos negar que Deus tem se mostrado nós de muitas maneiras, basta prestarmos atenção, basta falarmos menos e ouvirmos (estudarmos) mais.

Acredito que Deus tem tudo sob seu controle e supervisão. Creio que Ele está providenciando tudo que precisamos para vivermos, e sermos felizes. Mas creio também que sem sensibilidade e humildade vamos continuar buscando respostas para questionamentos absurdamente simples. Existem coisas constrangedoramente simples que nos mostram o quanto Deus está presente em nosso cotidiano, e fechar os olhos para essas coisas é querer que bois e vacas apareçam voando por aí. 
Ótima semana pra você! 

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Agora ontem, agora hoje, agora amanhã


Sabe aqueles dias que você fica olhando o Facebook e vendo fotos de amigos antigos, gente lá dos tempos da infância e juventude. Pois é... daí, você vai vendo um, lembrando de outro, encontrando aquele que há anos não sabia por onde andava. Você vê que alguns estão com vida bem bacana, profissões estáveis, casados, família crescendo e tudo mais. É um exercício bem interessante. As lembranças são muito boas, é uma nostalgia gostosa coroada com algumas descobertas e surpresas bem legais.
Contudo, você se depara também com alguns casos tristes. Amigos que estão doentes, outros desempregados, depressivos, angustiados, desanimados com a vida, e até alguns que já faleceram. Então você se lembra das conversas, das visitas à casa de alguns, dos passeios juntos, das tretas e mais um monte de situações que talvez (e só talvez hein) estivessem dando indícios de que algumas coisas poderiam de fato dar errado na vida de alguns de nós. “Se tivesse estudado? Se tivesse casado? Se não tivesse casado com essa pessoa ou aquela pessoa? Se tivesse levado algumas coisas mais a sério? Se tivesse escolhido melhor as companhias? Se tivesse ouvido os pais?” São muitos “se”, e não quero que pensem que estou julgando hein, estou apenas refletindo, pensando em quantas situações nós vivemos que de alguma maneira vão refletir em nosso futuro.
Mas de todas as situações, a que mais me chamou a atenção foi “descobrir” que muitos desses amigos passaram por uma mudança espiritual considerável, pelo menos do ponto de vista daquilo que os olhos podem ver. Notei que alguns que tinham uma vida desregrada, sem muito compromisso com os valores morais, com a família etc, estavam diferentes agora. Vi fotos de alguns em igrejas, em cultos, vi pensamentos religiosos, e até textos bíblicos em suas time line. Então pensei: “como pode? Quem diria hein... fulano de tal agora é crente!” É amigo, Deus age em um instante!
Infelizmente também vi o oposto. Vi pessoas que antes cantavam, pregavam, defensores da moral e dos bons costumes (rs) estavam agora em uma oposição absolutamente antagônica. Divorciados, bêbados nas baladas, filhos “perdidos”, drogados e etc. Uma situação que naquele tempo era difícil de imaginar. Mas como eu disse no começo, quando começamos a fazer uma retrospectiva, dá pra perceber que tínhamos alguns sinais, algumas evidencias de que algo poderia dar errado. Naquela época não entendíamos ou não queríamos entender, mas agora a coisa se mostra suficientemente clara. Mais uma vez ficou claro que “pequenas” atitudes, comportamentos e decisões, podem ter significativo impacto na vida da gente.
Tudo isso me fez pensar em minha vida, na minha história, e aí me vi questionando minha própria trajetória, oportunidades que o tempo trouxe. Percebi que é fácil analisar a vida dos outros, mas o difícil mesmo é pensar, reconhecer nossos muitos erros e os poucos acertos. Refleti também sobre o “agora” e entendi que ele não dura para sempre, e que na real, esse “agora” presente, é o reflexo de um “agora” passado, e que de alguma forma impactará o “agora” do futuro, e por isso devo ser cauteloso quanto às minhas decisões de hoje. Entendi ainda que aprender com o passado também é importante e necessário, afinal de contas erros em meu passado certamente não faltam, e os erros ajudam... e como ajudam! 
Cheguei conclusão que agora é o tempo de mudar seja lá o que for. Agora é o tempo de voltar, agora é o tempo de continuar, agora é o tempo de repensar a vida e quem sabe fazer algumas coisas diferentes. O “agora” de ontem não existe mais, o “agora” de amanhã talvez nem aconteça. Então o “agora” de agora deve ser muito bem vivido, muito bem considerado. Acho que é mais ou menos isso que Paulo quis dizer com a expressão “tempo que se chama hoje” (Hb 3:13), ou o “tempo da oportunidade” (2Co 6:2). Não tem como fugir disso, o hoje, o agora, vai de alguma maneira influenciar nosso futuro. E se isso é verdade para as coisas do cotidiano, é também verdade para as coisas eternas.

Vamos juntos repensar o hoje?

Forte abraço!

Pr. Vanius Dias

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Direito e Moral


“Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas; mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas.” 1Corintios 6:12

Para que os indivíduos de uma sociedade coexistam de forma harmônica, é absolutamente necessário que sejam estabelecidas algumas regras. Uma sociedade sem regras obviamente está fadada à desordem, ao caos. Instituições como família, escola, empresas, igrejas e tantas outras necessitam estar sob algum tipo de regulamento que as protejam e também lhes estabeleçam limites de sua atuação, bem como mostrar suas responsabilidades.

Na sociedade moderna, isso é conseguido (ou pretende-se conseguir) por meio do direito. O direito pode ser entendido com um complexo de normas e regulamentos que têm como finalidade estabelecer aquilo que certo ou errado dentro de uma relação bilateral. Em outras palavras, o direito sempre envolvera duas partes – você busca seu direito porque acha que alguém te prejudicou.

Em outra mão temos a moral. O juízo moral nos leva pensar do ponto de vista interior. Ao contrário do direito, a moral não envolve outra pessoa ou instituição, ela tem relação direta sobre o individuo, e por isso é unilateral. Em outras palavras mesmo que eu tenha direito a algo, nem sempre será moral fazer uso daquele direito, pois do ponto de vista individual o sujeito pode estar agindo contra sua própria consciência, o que em algum momento poderá lhe causar culpa ou remorso.

Um exemplo simples é o troco que você recebe no supermercado. Do ponto de vista do direito, você não comete um crime se fica com o troco que lhe foi dado a mais, afinal não foi sua culpa, você não teve a intenção de pegar o dinheiro. Contudo do ponto de vista moral, você saberá que aquele dinheiro não te pertence e poderá fazer falta para pessoa que equivocadamente o entregou. E se algum tempo depois você souber que a pessoa que te atendeu foi demitida porque faltou dinheiro em seu caixa, talvez se sinta culpado por não ter devolvido o dinheiro que recebeu a mais.

Sendo assim, concluímos que o fato de eu ter um direito não quer dizer que eu não deva ser moralmente responsável em seu uso. É muito comum ouvirmos algumas pessoas dizerem: “a vida é minha, e faço o que eu quiser”. Sim, isso é um direito, mas fazer o que você quer às vezes pode ferir, machucar, humilhar aos outros. Nem tudo que é garantido por direito é moralmente correto, pois em algum momento minha consciência poderá me cobrar por aquilo. Pensemos em quantas vezes agimos baseados em nossos direitos, mas acabamos por prejudicar outras pessoas.

Paulo diz em 1Corintios 6:12 que “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me convêm...” O Apóstolo parece estar orientando os cristãos em Corinto a usarem o seu direito mas fazer também uma análise das implicações morais de seu uso. Temos o direito de fazer muitas coisas, mas não quer dizer que diante de Deus essas coisas sejam corretas ou adequadas. O mesmo Paulo diz em 2Corintios 5:10 que “é necessário que todos nós sejamos manifestos diante do tribunal de Cristo, para que cada um receba o que fez por meio do corpo, segundo o que praticou, o bem ou o mal.“ Nesse caso, não se trata apenas de cumprir ou não cumprir a regra, mas sim sobre a motivação para tal cumprimento.

Que Deus nos ajude a sermos cuidadosos no uso dos nossos direitos. Que possamos olhar para os nossos atos além do binômio “pode ou não pode”, mas também entendermos as implicações de nossas ações tanto em nossa vida, como na vida de outros.

Que Deus te dê uma abençoada semana!

Pr. Vanius Dias 

Pluralismo Religioso

Andei lendo, vendo, e pensando em algumas coisas. Fiquei tão impressionado e preocupado que resolvi escrever sobre o assunto, espero que d...